Startup cria plataforma de seleção profissional com entrevista às cegas

Startup cria plataforma de seleção profissional com entrevista às cegas

Por Márcio Padrão | Editado por Claudio Yuge | 02 de Dezembro de 2021 às 13h20
Reprodução/ijeab/Freepik

Os processos mais automatizados de recursos humanos têm sido criticados por usarem de forma mais intensa critérios excludentes e pouco claros. A startup Jobecam afirma aumentar em 68% a diversidade nas contratações com uma tecnologia de seleção às cegas, que mantém o sigilo da voz, da aparência e dados do candidato na entrevista.

Na visão da empresa, a entrevista às cegas permite que os avaliadores foquem nas habilidades e competências dos profissionais e evita discriminações por raça, gênero, idade, religião ou condição social, sejam elas conscientes ou não. O recrutador só conhecerá os detalhes ocultos da pessoa avaliada após esta seguir para a próxima fase do processo, e a escolha não pode ser desfeita após a revelação.

A Jobecam também usa inteligência artificial para acelerar processos, estimando um ganho de tempo de 80% em relação aos meios tradicionais, como ligações telefônicas e entrevistas nas fases iniciais. Como exemplo, realiza um ranking inteligente dos vídeos de apresentação dos candidatos, que são feitos a partir de perguntas e termos determinados pelos recrutadores.

Cammila Yochabell, fundadora e CEO da Jobecam (Imagem: Divulgação/Jobecam)

A startup está em processo de expansão no mercado brasileiro e prevê um crescimento de 50% até o fim deste ano. A potiguar Cammila Yochabell fundou a hrtech em 2016, após acumular experiência de recursos humanos e gestão de pessoas nos EUA, Austrália e Nova Zelândia.

Ela pensou na ideia a partir de uma dor própria. Mesmo com um currículo de peso, diz ter sentido na pele o foco dos entrevistadores em seu sotaque ou em sua área de formação de origem. Após ouvir histórias parecidas, pensou na ideia da plataforma para eliminar vieses inconscientes.

“A Jobecam acredita em um mundo que valoriza as diferenças. Primeiro é preciso desconstruir paradigmas impostos pela sociedade, e formar ambientes mais justos, diversos e inclusivos. O mundo precisa entender que a diversidade, inclusão e pertencimento são pilares cruciais para um crescimento social e econômico”, comenta Yochabell em comunicado à imprensa.

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