Novo chefão do Firefox tem "plano das antigas" para combater o Chrome
Por Viviane França |

O Firefox começou uma nova fase sob o comando de Ajit Varma, ex-executivo do Google, com um plano “das antigas” para tentar recuperar usuários do Chrome e de outros navegadores baseados em Chromium. A estratégia é apostar no básico, com mais desempenho, recursos úteis e foco em privacidade.
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O Firefox tenta se vender como alternativa ao Chromium. Por usar o motor Gecko, ele é mais independente e ainda mantém suporte completo a extensões, incluindo bloqueadores de anúncios, como o uBlock Origin, que estão sendo limitados em navegadores baseados em Chromium por causa do fim do suporte às extensões do Manifest V2. Ao mesmo tempo, a Mozilla vive uma situação incômoda, já que grande parte da sua receita ainda vem do próprio Google, que paga mais de US$ 400 milhões por ano para ser o buscador padrão do browser.
A Mozilla também vem acelerando a entrega de novidades e adicionou novas funções, como abas verticais, visualização dividida (split view) e controles ligados a IA. Além disso, o navegador deve ganhar opções de personalização, com a possibilidade de usuários compartilharem versões customizadas do Firefox, incluindo papéis de parede e configurações de privacidade, instaladas com apenas um clique.
Ainda, o browser passou por ajustes internos para ficar mais rápido no uso do dia a dia, com foco em desempenho real, e não apenas em resultados de benchmarks. Mesmo assim, o Firefox ainda corre muito atrás, já que terminou 2025 com apenas 3,5% de participação no mercado global, segundo a Cloudflare.
Para reforçar esse foco em privacidade, a Mozilla lançou uma VPN própria com 50 GB gratuitos por mês e promete não coletar ou vender dados dos usuários. Além disso, o Firefox Sync tem criptografia de ponta a ponta, impedindo até a própria empresa de acessar o histórico sincronizado.
Firefox segue estratégia contrária ao mercado
Enquanto concorrentes estão colocando IA no centro do navegador, como o Chrome com Gemini, o Edge com Copilot e projetos, como o Comet, a Mozilla tenta seguir outro caminho. A empresa diz que não pretende forçar recursos de IA para todo mundo e quer manter essas ferramentas como algo opcional.
A ideia é colocar as ferramentas em uma janela separada chamada Smart Window, sem misturar tudo na interface principal. A posição oficial da Mozilla é clara, ela quer ser ao mesmo tempo “o melhor navegador para quem odeia IA” e “o navegador mais seguro para quem ama IA”.
Varma também diz que o maior diferencial do Firefox a longo prazo é a confiança. Segundo ele, a Mozilla não tem a pressão de entregar lucro máximo para acionistas, o que permite manter o foco em melhorar o navegador e priorizar a experiência do usuário.
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