O software livre é gratuito?

Por Boris Kuszka | 11 de Outubro de 2013 às 10h45

Você já deve ter ouvido falar sobre o software livre, das suas vantagens e até mesmo escutado alguém dizer que é bom porque é gratuito. Ou ainda imaginado um programa sem bloqueios, ou de qualidade inferior e que você pode pegar e sair usando sem responsabilidades.

Se por algum momento estas hipóteses passaram pela sua cabeça, vale entender melhor o conceito do software livre ou Free Software, e pode ser que a confusão entre gratuito e livre esteja no nome em inglês – com a palavra Free, que muitas vezes é traduzida por grátis, em português. Porém, neste caso a tradução quer dizer livre. E por isso vamos tentar desvendar estas más interpretações desde o fascinante modelo de negócios Open Source.

Existem duas principais organizações internacionais responsáveis pela proteção e promoção do software livre: a Free Software Foundation (FSF) e a Open Source Initiative (OSI), que atuam para garantir que os termos Free Software e Open Source sejam utilizados de forma correta. De acordo com a FSF (ou, em português, Fundação para o Software Livre), é considerado livre o programa que pode ser copiado, usado, modificado e redistribuído de acordo com as necessidades de cada usuário. Ou seja, o software é considerado livre quando se enquadra nessas liberdades definidas pela fundação. Mas isso não impede que um desenvolvedor cobre algum valor pelas modificações feitas; vale lembrar que há custos na programação, como em qualquer outra atividade, porém a diferença está na filosofia do software livre, a qual visa ao espírito de liberdade e não ao lucro. Com isso fica claro que livre não é gratuito e sim disponível a todos.

Existem quatro liberdades básicas associadas ao software livre:

  1. A liberdade de executar o programa, para qualquer propósito;
  2. A liberdade de estudar como o programa funciona e adaptá-lo para as suas necessidades. O acesso ao código-fonte é um pré-requisito;
  3. A liberdade de redistribuir cópias de modo que você possa ajudar ao próximo – colegas ligados a este universo da TI e em geral;
  4. A liberdade de aperfeiçoar o programa e liberar os seus aperfeiçoamentos para que toda a comunidade se beneficie.

E o software proprietário?

Ao contrário do software livre, software proprietário é aquele cuja cópia, redistribuição ou modificação são proibidas pelo seu criador ou distribuidor. Normalmente, para utilizar, copiar, ter acesso ao código-fonte ou redistribuir, deve-se solicitar autorização ao proprietário, ou pagar para poder fazê-lo. Em outras palavras, é preciso ter a licença do produto.

As empresas que produzem softwares proprietários normalmente apagam ou não deixam mais visíveis as correções das versões antigas, e as versões novas não são compatíveis com os formatos anteriores. Desta forma, garantem um bom número de vendas do lançamento da nova versão. É isto leva o usuário a fazer (e comprar) uma atualização.

Algumas das razões técnicas para escolher o Open Source (ou Software Livre) em relação ao proprietário é que o desenvolvimento dos projetos, nesta filosofia, tem algumas vantagens em relação ao software proprietário:

  1. O número de desenvolvedores envolvidos no projeto não tem limites: quanto maior a relevância do projeto, mais pessoas e empresas participam do seu desenvolvimento;
  2. Permite que as empresas que participam no desenvolvimento foquem no que eles fazem de melhor, por exemplo: uma empresa de armazenamento de dados contribui com essa parte no projeto; a empresa de comunicação em rede contribui com outra área e assim por diante. Além das empresas, os desenvolvedores individuais contribuem de acordo com sua expertise;
  3. Os padrões adotados são sempre abertos, não há a possibilidade de aprisionamento do cliente com o fornecedor de software. O cliente sempre terá a liberdade de trocar uma determinada peça na sua arquitetura de TI, exatamente porque a liberdade está intrínseca na definição de software livre;
  4. A implementação de funcionalidades vem diretamente do mercado, dos usuários, das comunidades, pois são eles que estão desenvolvendo e atendendo às próprias necessidades que, depois de incorporadas no produto de uma empresa de Open Source, recebem o tratamento de testes, homologações e suporte exigido no ambiente empresarial;
  5. As inovações ocorrem com uma velocidade muito maior que nos softwares proprietários. Os pontos que mais interessam aos CIOs (Big Data, cloud computing, storage baseado em software livre, etc.) têm iniciativas Open Source na liderança dos projetos;
  6. A segurança é um fator de destaque, pois qualquer falha de segurança identificada é rapidamente sanada pela comunidade, impedindo que os hackers tenham tempo de agir.

Em resumo, hoje podemos afirmar que o Open Source permite uma aceleração da inovação, pois qualquer projeto novo parte de outro projeto já testado, e também em constante evolução. É o que está acontecendo, por exemplo, no mapeamento do genoma humano. Assim que o projeto de sequenciamento do genoma humano foi completado, toda a informação ficou disponível para todos, online, e isso permite que outras empresas foquem no desenvolvimento de tratamentos e identificação de doenças sem precisar que despendam muito tempo e dinheiro refazendo o que já foi descoberto. É isso que acontece com diferentes projetos quando se opta pelo Software Livre.

Boris Kuszka é colunista do Canaltech e Solution Architect Manager da Red Hat

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