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4 coisas que seu smartwatch já mede e podem melhorar seus treinos; especialista explica

Por  • Editado por Léo Müller | 

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Smartwatch usado para treinos
Eric Mockaitis/Canaltech

Muitas pessoas investem em smartwatches para ter um aliado na rotina de atividades físicas, mas acabam acompanhando apenas o tradicional contador de passos diários. No entanto, o dispositivo oferece diversos recursos que podem contribuir para otimizar os resultados dos treinos.

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São diferentes indicadores fisiológicos que ajudam a acompanhar a saúde e o desempenho físico. E entender essas métricas permite ajustar a intensidade dos exercícios, evitar o excesso de esforço e tornar a prática de atividades físicas mais segura.

Em entrevista ao Canaltech, Thiago Augusto Costa de Oliveira, professor doutor da Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da USP, afirma que o usuário pode utilizar as informações fornecidas pelos relógios inteligentes para ter acesso a dados objetivos sobre como o organismo responde a cada estímulo.

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Para ajudar os praticantes de atividades físicas a aproveitar melhor os smartwatches no dia a dia, reunimos quatro métricas oferecidas pelos aparelhos que merecem atenção:

  1. Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC);

  2. VO₂ Máximo (Capacidade Cardiorrespiratória);

  3. Zonas de Frequência Cardíaca;

  4. Tempo de Recuperação.

1. VFC (Variabilidade da Frequência Cardíaca / HRV)

A Variabilidade da Frequência Cardíaca (VFC) é uma métrica que analisa a pequena variação de tempo, medida em milissegundos, entre um batimento cardíaco e outro. O relógio estima essa oscilação a partir dos intervalos entre batimentos detectados pelos sensores ópticos do pulso para indicar como o sistema nervoso está lidando com o estresse e a recuperação.

"Uma VFC alta reflete, em grande parte, maior modulação parassimpática sobre o coração e, assim, maior capacidade de recuperação. Já uma VFC mais baixa que o habitual costuma indicar que o corpo ainda está sob estresse, seja de um treino intenso ou de uma noite mal dormida", explica o especialista.

Como os dispositivos geralmente obtêm esses dados com maior precisão durante o sono, acompanhar essas variações ajuda a identificar o momento ideal para treinar com mais intensidade. O docente ressalta que essa observação constante é um bom indicativo para decidir se vale a pena fazer um treino mais exigente ou optar por uma atividade leve. 

2. VO₂ Máximo (Capacidade Cardiorrespiratória)

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O VO₂ Máximo representa a quantidade máxima de oxigênio que o corpo consegue absorver, transportar e utilizar durante um esforço físico intenso. O smartwatch estima esse indicador cruzando informações como frequência cardíaca, velocidade e distância percorrida durante as atividades. 

Além de indicar o condicionamento físico, essa métrica também é considerada um importante indicador da saúde cardiovascular. Para obter dados mais precisos, o ideal é realizar treinos ao ar livre, já que muitos algoritmos utilizam o GPS para otimizar os cálculos. 

Thiago também destaca que o mais importante não é o valor isolado, mas a evolução desse indicador ao longo do tempo.

"O valor de acompanhar essa métrica ao longo dos meses não reside no número isolado, mas na tendência: se o VO₂ Máximo estimado sobe de forma consistente, é um forte indício de que o condicionamento cardiorrespiratório está melhorando com o treino. Assim como a VFC, ele funciona como um retorno de longo prazo", destaca o professor.
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3. Zonas de Frequência Cardíaca

Existe um mito de que treinar sempre no limite do esforço físico é a forma mais rápida de obter resultados. Na prática, exercícios em intensidades mais baixas utilizam proporcionalmente mais gordura como fonte de energia, embora o gasto calórico total dependa também da intensidade e da duração da atividade.

"O sistema de zonas do relógio ajuda justamente a visualizar isso. Ele mostra, em tempo real ou pós-treino, em qual intensidade a pessoa está treinando e por quanto tempo, evidenciando que treinar 'puxado' o tempo todo não é sinônimo de treinar melhor, mas frequentemente de estagnar ou se lesionar", enfatiza Thiago.
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Acompanhar essa informação no smartwatch auxilia no controle da intensidade do exercício e evita exageros desnecessários. O professor explica que permanecer constantemente nas zonas mais altas faz o organismo utilizar principalmente carboidratos como fonte de energia, aumentando o risco de fadiga acumulada.

4. Tempo de Recuperação

Após o fim da atividade física, muitos relógios inteligentes estimam o tempo necessário para que o organismo se recupere antes do próximo treino. Para chegar a essa recomendação, o sistema considera fatores como intensidade do exercício, frequência cardíaca, VFC e, dependendo do modelo, até a qualidade do sono. 

Ignorar repetidamente essas recomendações pode prejudicar a adaptação ao treinamento e comprometer a evolução do condicionamento físico. O professor alerta que a falta de descanso aumenta o risco de problemas relacionados ao excesso de treinamento, e ressalta que a estimativa do relógio deve ser interpretada em conjunto com a percepção do próprio usuário.

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"Treinar repetidamente sem recuperação adequada é justamente o mecanismo por trás da síndrome do overtraining, que pode causar queda de desempenho, alterações de humor, distúrbios do sono, maior suscetibilidade a lesões musculoesqueléticas e até impacto no sistema imunológico", aponta o especialista.

Smartwatch não substitui acompanhamento de um profissional

Para quem pratica atividades físicas, os smartwatches de fato oferecem informações úteis para acompanhar a evolução dos treinos, identificar padrões de recuperação e monitorar indicadores de saúde. Mas a precisão dos sensores pode diminuir durante exercícios de alta intensidade ou com muito movimento dos braços, por exemplo. 

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"É fundamental deixar claro que essas tecnologias, por mais sofisticadas que sejam, não substituem o acompanhamento de um profissional de educação física. Os dados fornecidos pelo relógio são estimativas baseadas em algoritmos e sensores com limitações conhecidas. Sua correta interpretação, assim como a definição de volume, intensidade e progressão de treino adequados a cada indivíduo, exige conhecimento técnico”, reforça o docente.

Diante disso, Thiago acrescenta que o smartwatch deve ser encarado como uma ferramenta de apoio para orientar decisões, e não como a única fonte para definir a rotina de exercícios. A recomendação é sempre buscar orientação profissional para garantir uma prática mais segura, individualizada e eficaz.

Além dos smartwatches, outros dispositivos também podem ser usados na rotina de exercícios. E o Canaltech listou 4 tecnologias que te ajudam a dar um salto de evolução nos treinos.