Xiaomi processa EUA após acusação de ligação com militares chineses

Por Felipe Junqueira | 01 de Fevereiro de 2021 às 11h26
Shiwa ID/Unsplash

A Xiaomi anunciou que vai processar o Departamento de Justiça e o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos por acreditar ser injusta a inclusão da empresa em uma lista suja do governo americano. O banimento, apesar de não ser tão pesado quanto o imposto à Huawei, pode trazer prejuízos à fabricante chinesa.

O anúncio foi feito em uma carta a investidores da Bolsa de Valores de Hong Kong. A companhia alega que há injustiça de procedimento e erros de identificação factual do governo americano ao reconhecer a Xiaomi como “empresa militar chinesa”, mas não negou claramente haver alguma ligação entre empresa e militares. A ação na justiça, movida no Tribunal Distrital de Columbia, visa “proteger os interesses dos usuários, parceiros, funcionários e acionistas globais da companhia” e pede que a decisão seja considerada ilegal.

Além da Xiaomi, outras oito empresas chinesas foram incluídas na "lista suja" do Departamento de Defesa em meados de janeiro, em uma das últimas ações oficiais de Donald Trump como presidente dos EUA. Ainda não ficou muito claro que tipo de sanções essa decisão pode motivar, mas já se sabe que investidores americanos serão obrigados a vender suas ações dessas companhias até 11 de novembro.

Em 1999, foi criada uma lei nos EUA que obriga o Departamento de Defesa (DoD) a manter uma compilação de empresas pertencentes ou controladas por militares chineses. O Pentágono, que só começou a cumprir a determinação recentemente, já listou 35 companhias do país asiático, incluindo a gigante do petróleo CNOOC e a principal fabricante de chips da China, a SMIC. Em novembro, Trump tentou reforçar a lei e assinou uma ordem executiva proibindo o investimento dos EUA nas empresas desta lista suja.

Destino diferente da Huawei

Xiaomi não deve ter problemas para comprar componentes da Qualcomm (Imagem: Divulgação/Xiaomi)

Apesar de certamente gerar alguns problemas à Xiaomi, a inclusão na lista de empresas que teria ligação com os militares chineses não deve gerar tantos problemas quanto o banimento da Huawei. A limitação à fabricante que ficou conhecida por oferecer bons produtos a preço acessível deve ser mais branda, e a Xiaomi provavelmente poderá utilizar tecnologia americana e até mesmo negociar com a Qualcomm e manter a parceria com o Google.

Por ora, acredita-se que o único impedimento é de que investidores estadunidenses mantenham ações na companhia — além disso, a Xiaomi pode ser impedida de cooperar diretamente com empresas do país norte-americano. Porém, o uso da plataforma Google Mobile Services, compra de componentes fabricados por empresas americanas e uso de tecnologias desenvolvidas nos Estados Unidos provavelmente devem ser permitidos.

Em outras palavras, a Xiaomi não deve sofrer tanto quanto a Huawei com a inclusão de seu nome na "lista suja" do Departamento de Defesa dos EUA, e seus produtos devem continuar a chegar normalmente ao ocidente.

Fonte: IT Home

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