Tim Cook defende que usuários silenciem notificações do iPhone

Por Thaís Augusto | 23 de Abril de 2019 às 18h07
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Não é segredo que a Apple defende um discurso contra o vício aos iPhones. No ano passado, a empresa chegou a lançar aplicativos nativos para o controle e gerenciamento do tempo no celular. Agora, o CEO da empresa, Tim Cook, declarou que as pessoas deveriam sair de frente de seus iPhones e diminuir o engajamento em aplicativos.

A declaração foi dada em entrevista ao TIME 100 Summit nesta terça-feira (23). O executivo discutia a natureza viciante dos dispositivos móveis e o papel da Apple no assunto.

"A Apple nunca quis maximizar o tempo do usuário [em dispositivos]. Nós nunca falamos sobre isso", afirmou Cook. Ele ainda diz que silenciou as notificações de seu iPhone nos últimos meses.

Aplicativo Screen Time da Apple permite que usuário monitore atividade no celular

O comentário chama atenção: há alguns anos, a Apple não demonstrava a mesma preocupação com o vício de seus usuários. A empresa até habilitou uma plataforma de desenvolvedores para que eles pudessem inundar usuários com notificações – que variam desde alertas sobre novos seguidores em redes sociais até recursos adicionados a jogos.

A ideia é que os desenvolvedores se mantenham ativos e capturem a atenção dos usuários em tempo real, mas a Apple poderia ter seguido por caminhos mais interessantes como a criação de uma plataforma de notificações, que ficaria sob o controle do usuário. Assim, ele poderia definir quando gostaria de receber as notificações de seus aplicativos favoritos, por exemplo.

A empresa também poderia ter optado por uma espécie de "feed" dentro da App Store, que funcionaria como um canal dedicado às últimas notícias dos aplicativos instalados.

Mas o fato é que a plataforma de notificação da Apple foi construída com a ideia de aumentar o engajamento em aplicativos. A empresa nunca admitiu tal intenção, mas no ano passado disponibilizou um recurso para que o usuário pudesse desligar as notificações por push.

"Se você tem um iPhone e não desativa as suas notificações, eu realmente o encorajo a fazer isso", sugeriu Cook. "Eu me perguntei: '[Será que] realmente preciso receber milhares de notificações por dia?' Não é algo que agrega valor à minha vida, ou está me tornando uma pessoa melhor. Então cortei isso".

Os comentários de Cook deveriam ser uma referência velada à natureza viciante de alguns aplicativos, como o Facebook – a Apple não cansa de criticar a rival desde que a rede social se viu envolvida em polêmicas de violações de privacidade e escândalos de vazamento de dados.

Mas vale lembrar que quando a App Store foi lançada em 2008, o Facebook se sentou orgulhosamente na fileira de destaque da plataforma. A rede social foi fortemente promovida porque era um excelente exemplo da utilidade do iPhone. É como se gritasse "Aqui está uma popular rede social que você pode ter ao comprar o celular".

Interface da App Store quando foi lançada em 2008. Imagem: Reprodução / The New York Times

Uma década depois do lançamento da App Store, a Apple voltou a atenção para os seus usuários. Durante o WWDC 2018, a empresa anunciou uma série de ferramentas de bem-estar digital, como os aplicativos para silenciar notificações, monitorar o uso do smartphone e para o controle parental.

"Se você está olhando para o seu smartphone mais do que para os olhos de outra pessoa, você está fazendo alguma coisa errada", continuou o CEO. "Queremos educar as pessoas sobre o que elas estão fazendo".

Fonte: TechCruch

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