Samsung "fica mais chinesa" para evitar celulares mais caros; entenda tática
Por Léo Müller | •

De acordo com informações do portal sul-coreano DealSite desta quinta-feira (2), a Samsung estaria aumentando a quantidade de fornecedores chineses para montar seus smartphones, em detrimento de parceiras locais, da própria Coreia do Sul.
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A estratégia que "ficar mais chinesa" surge como resposta direta ao aumento global no preço de componentes, especialmente memória e chips, impulsionado pela demanda crescente de empresas de inteligência artificial como OpenAI, Microsoft e Google.
Esse fenômeno, chamado de “chipflation” (ou “inflação dos chips”), tem pressionado os custos de produção de smartphones. Segundo o relatório, isso levou a Samsung a rever sua cadeia de suprimentos, buscando alternativas mais baratas, e a China aparece como principal candidata.
Um dos exemplos citados envolve a linha intermediária da marca. A Samsung teria fechado acordo com a chinesa CSOT para fornecimento de painéis OLED para modelos como o Galaxy A57. Até então, esses componentes eram majoritariamente produzidos pela própria Samsung Display.
A mudança indica uma tentativa clara de reduzir custos em modelos mais acessíveis, onde a margem de lucro é menor e a sensibilidade a preço é maior. Ainda segundo o relatório, o volume de fornecimento da CSOT deve crescer significativamente em relação ao ano anterior.
A estratégia não se limita aos displays. A Samsung também estaria ampliando o uso de fornecedores chineses em outras áreas críticas.
No caso dos dobráveis, por exemplo, a empresa teria substituído fornecedores tradicionais do mecanismo de dobra por empresas chinesas. Já em linhas premium como a Galaxy S, fabricantes da China vêm ganhando espaço no fornecimento de módulos de câmera, especialmente sensores ultrawide.
Segundo o periódico coreano, isso mostra uma diversificação mais agressiva da cadeia de suprimentos e não apenas por preço, mas também por capacidade de entrega e competitividade tecnológica.
Pressão aumenta sobre fornecedores coreanos
O movimento, por outro lado, pressiona empresas sul-coreanas que tradicionalmente fazem parte do ecossistema da Samsung. Com a necessidade de cortar custos, fornecedores locais estariam enfrentando pedidos de redução de preços ao mesmo tempo em que perdem espaço para concorrentes chineses.
Além disso, há um fator adicional: a evolução tecnológica das empresas chinesas. Embora ainda exista percepção de vantagem técnica por parte de fabricantes coreanos, o gap vem diminuindo rapidamente, o que reforça a viabilidade da troca.


