Qualcomm tenta convencer EUA a liberar venda de CPUs à Huawei, diz jornal

Por Rubens Eishima | 10 de Agosto de 2020 às 08h10
Reprodução/Google Images
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Proibida de fornecer suas tecnologias e produtos à Huawei, a Qualcomm estaria trabalhando nos bastidores para que o governo norte-americano autorize a venda dos chips Snapdragon à marca chinesa. A informação foi divulgada pelo jornal Wall Street Journal, que citou o potencial de até US$ 8 bilhões em compras de componentes (cerca de R$ 40 bilhões).

O argumento apontado pelo jornal para convencer o governo de Donald Trump é o de que o bloqueio atual tem o potencial de beneficiar duas concorrentes da empresa, a taiwanesa MediaTek e a sul-coreana Samsung, que poderiam fornecer seus processadores à Huawei sem afetar de maneira significativa a fabricante chinesa.

Nos últimos anos, a Huawei utilizou principalmente processadores próprios, desenvolvidos pela sua subsidiária HiSilicon. A fabricação dos chips foi impedida em maio deste ano, com um decreto dos EUA proibindo que a empresa contrate a fabricante especializada TSMC para produzir os componentes.

Executivos da fabricante chinesa já admitem que os estoques de processadores estão esgotados, e que a linha Mate 40 deve ser a última equipada com uma CPU Kirin topo de linha — processadores básicos da empresa continuam em produção na fabricante chinesa SMIC.

Qualcomm não quer deixar a Huawei "cair no colo" da concorrência (imagem: MediaTek)

Proibido, mas com exceções

A autorização buscada pela Qualcomm é uma licença especial de exportação liberada pelo governo dos EUA a empresas do país para negociar com a Huawei — entre as exceções conhecidas estão a da Microsoft e a fabricante de chips de memória Micron. Marcas como Intel e Google admitiram terem solicitado a mesma licença, mas não confirmaram a decisão tomada pelo governo norte-americano.

Caso a Qualcomm obtenha a licença, a empresa estaria liberada a vender seus chips Snapdragon à marca chinesa, líder global em vendas de celulares no último trimestre. Além disso, a Huawei detém mais da metade do segmento de celulares 5G em seu país de origem, mercado com margens de lucro mais elevadas e no qual adota os processadores Kirin afetados pelo decreto dos Estados Unidos. Vale lembrar, porém, que rivais da Qualcomm oferecem alternativas com 5G, como o MediaTek Dimensity ou Samsung Exynos.

Fonte: The Wall Street Journal  

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