Funcionários da LG não aceitam acordo e sindicato propõe estatizar empresa

Por Felipe Junqueira | 27 de Abril de 2021 às 23h30
Diego Sousa/Canaltech

A LG tomou a decisão de encerrar as atividades de sua divisão de celulares em todo o mundo e, apesar de não ter divulgado o número de trabalhadores que perderão o emprego por conta do fechamento de fábricas, a companhia enfrenta uma greve no Brasil. Enquanto isso, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região (SindmetalSJC), Weller Gonçalves, propõe estatizar a LG do Brasil para produzir celulares nacionais.

Já faz mais de 20 dias que os funcionários da fábrica de Taubaté, interior de São Paulo, paralisaram as atividades. A companhia sul-coreana já avisou que pretende transferir a produção de notebooks e monitores no local para Manaus, o que levaria ao fechamento total da planta, também responsável pela produção dos celulares da marca no país. Ao mesmo tempo, trabalhadores das metalúrgicas Sun Tech, Blue Tech e 3C, fornecedoras da LG, também entraram em greve.

Entre as exigências dos grupos está a manutenção dos empregos e direitos de todos, mesmo com a saída da LG. Em um artigo escrito no início do mês, Weller Gonçalves, presidente do SindmetalSJC, escreveu um artigo em que defende a “estatização da LG do Brasil”, ou seja, pede que o governo federal intervenha para garantir as vagas de todos os trabalhadores no país.

Funcionários das fábricas que produzem smartphones para LG fazem greve pela saída empresa da divisão mobile (Foto: Roosevelt Cássio / Sind. dos Metalúrgicos)

“Apesar do Brasil ter garantido para a companhia asiática a terceira posição em venda de smartphones nos últimos anos, a decisão da matriz é impiedosa e trará efeitos dolorosos ao nosso país”, argumentou Gonçalves. “Isso é parte da reestruturação produtiva conduzida por seus executivos para garantir mais lucros e que aprofunda o agudo processo de desindustrialização vivido pelo país e que deveria ser combatido pelo governo”, ressaltou, ao lembrar que a pandemia de COVID-19 afetou outras áreas.

De acordo com o artigo, a saída da LG causará a perda de 700 postos na fábrica de Taubaté, que se somam a possíveis 430 cortes nas fornecedores Sun Tech, localizada em São José dos Campos, Blue Tech e 3C, localizadas em Caçapava, também cidades do interior paulista. Segundo Gonçalves, as metalúrgicas “operam majoritariamente com mulheres, que, na atual conjuntura, encontrariam sérias dificuldades para se recolocarem no mercado de trabalho”.

A LG diz que só vai negociar com funcionários da própria empresa, ao menos no primeiro momento. Ou seja, trabalhadores de São José dos Campos e Caçapava que podem ser impactados pela decisão da sul-coreana estariam entregues à própria sorte.

Tecnologia para produzir por conta própria

Ainda de acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, o Brasil possui tecnologia suficiente para produzir celulares por conta própria. Isso inclui, segundo ele, “maquinário e o capital humano com capacitação técnica necessários para desenvolvermos celulares com marca nacional”.

“Caso a LG insista no fechamento, a mudança de postura do Sindicato de Taubaté fortaleceria a pressão junto ao governo federal para que a empresa seja estatizada, sob controle dos trabalhadores. Consideramos essa medida plenamente executável”, defendeu Gonçalves.

Acordo difícil

A LG enfrenta dificuldades em acertar a indenização com os funcionários da fábrica de Taubaté. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté e Região (Sindimetau), que auxilia os trabalhadores nas conversas, a sul-coreana propôs indenização que variava entre R$ 9.350 a R$ 51.000, dependendo do tempo de casa do funcionário, além das verbas rescisórias, participação nos lucros e resultados e extensão do plano médico até o fim de janeiro de 2022.

Fonte: SindmetalSJC (1, 2), Sindimetau

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