Celular, o companheiro de aventuras

Por José Otero | 12 de Abril de 2018 às 21h45
photo_camera Rawpixel/Depositphotos

A história dos serviços móveis na América Latina poderia facilmente se resumir como a história da demanda por certos tipos específicos de telefones celulares por parte dos consumidores, em diferentes períodos dos últimos trinta anos. O início da massificação da telefonia móvel deu-se logo após a chegada do pré-pago às Américas, em seguida da invenção deste modelo por uma operadora portuguesa em 1995.

O começo do modelo pré-pago até o negócio de luxo significou a busca de telefones cada vez mais baratos que permitissem oferecer promoções como parte de uma estratégia de crescimento agressivo, os preços dos dispositivos chegaram a superar 70% a 80% do subsídio entregue. Eram tempos dos quais várias operadoras na região competiram erroneamente em querer comprar participação de mercado oferecendo gratuitamente celulares, e outros, mais atrevidos, complementaram o presente com outros dispositivos, como TVs, MP3 e rádios.

Com a chegada do novo século, se pensava na era dos dados. Atrás ficavam essas redes analógicas que causaram tantas dores de cabeça para as unidades de negócios antifraude das operadoras móveis. Agora a aposta era por sistemas digitais mais seguros, vivenciando um ecossistema totalmente fragmentado e enfrentado entre as tecnologias com melhores economias de escala e de melhor funcionamento.

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Novamente, o telefone foi quem decidiu a batalha, ao possuir melhores economias de escala, a tecnologia inferior nesse momento também contava com uma maior variedade de telefones por um baixo custo. Isto se traduzia em milhões de dólares em subsídios. O importante era entregar ao cliente o aparato bonito, aqueles chamados modelos “aspiracionais”, onde o dono se sentia parte de um segmento da sociedade alheio à sua realidade.

Não passou muito tempo para o início de saturação das linhas para que os consumidores desejassem obter um telefone pequeno, quanto menor fosse o telefone, mais demanda esperava gerar entre os consumidores. Assim, foi nesta busca para procurar algo minúsculo que se deu o surgimento dos telefones do tipo capa ou shell. O lançamento deste modelo foi tão bem-sucedido que a sua presença no mercado durou vários anos.

Finalmente, as redes móveis começaram a funcionar entregando altas velocidades de conectividade à internet, o que levou a uma nova reformulação dos hábitos dos usuários. O tempo dos telefones pequenos havia acabado, agora o importante era o tamanho da tela e a capacidade de memória do dispositivo. Pouco a pouco os botões foram desaparecendo deixando uma tela tátil de fácil uso.

Agora, quase todos os modelos são iguais e as diferenças são muito poucas ou passam inadvertidas. Devemos dizer também que a ruptura com o passado não acontece por acaso, é uma ruptura que ocorre porque o telefone deixou de existir para ser substituído por um computador de mão que normalmente é substituído a cada 18 meses.

O interessante destes novos computadores chamados telefones inteligentes é que cada vez encontramos mais lugares. A influência da China em manufatura, e sua distribuição para grande parte dos dispositivos utilizados pelo mundo todo não pode ser subestimada. É por tal razão que qualquer política que possa afetar as exportações desse país ao resto do mundo poderia ter consequências perigosas no grupo dos consumidores com menor poder aquisitivo ao enfrentar preços mais altos. Em outras palavras, há caprichos que saem caro.

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