A Xiaomi vai fabricar aparelhos no Brasil? Não é bem assim...

Por Rui Maciel | 30 de Julho de 2019 às 20h10
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Em um mercado com poucas opções de smartphones como o do Brasil, a chegada da Xiaomi, três meses e meio atrás, gerou euforia por parte dos (numerosos) fãs da marca. Afinal, a fabricante chinesa é conhecida por oferecer dispositivos com boas configurações, a preços razoáveis. No entanto, esse custo-benefício acabou perdendo parte da sua força por aqui, devido, principalmente, aos altos impostos cobrados no país e que, claro, impactam no preço final ao consumidor.

Tais obstáculos tributários fizeram com que a Xiaomi — como toda fabricante que se aventura no Brasil — considerasse fabricar seus aparelhos no país para que os custos diminuíssem e, consequentemente, barateassem os smartphones da marca. E bastou uma mera indicação disso para que muita gente — e parte da imprensa — desse como certo que a fabricante chinesa iria começar a produzir seus aparelhos por aqui, ainda esse ano. Só que a coisa não é bem assim.

Em entrevista ao Canaltech, Luciano Barbosa, head do Projeto Xiaomi no Brasil, afirmou que tal passo não está nem perto de acontecer. Segundo ele, o que há, no momento, é um estudo — em andamento — para avaliar os prós e contras em produzir aparelhos da marca em nosso país. E tudo isso passa por uma longa análise: "Estamos com os pés no chão, oferecendo produtos, sentindo a aceitação dos modelos e, claro, seus números de vendas. Só depois de tudo isso,com uma base instalada, aí sim teremos a maturidade suficiente pra definir a fabricação [dos aparelhos no Brasil"].

Redmi Note 7: o Xiaomi preferido do público brasileiro

Para definir se vale a pena produzir celulares no país, a Xiaomi também está observando o comportamento do consumidor brasileiro. "Com exceção da Samsung, que tem uma capilaridade muito grande, as outras fabricantes acabam ficando limitadas a poucos modelos de aparelhos. E estamos percebendo que o público brasileiro gosta de muita variedade", declarou Barbosa. "E isso é um pilar que precisamos trabalhar com calma, em todos os nossos canais de venda e, com dados mais consolidados, analisar as principais preferências do público, para dar o próximo passo [o de fabricar localmente]".

O objetivo da Xiaomi é contar com até 15 smartphones em seu portfólio no Brasil até o final ano, todos atuais, algo que as concorrentes só conseguem se tiverem modelos de até dois anos atrás em seu acervo.

Os Xiaomis preferidos do brasileiro

Como Barbosa afirmou anteriormente, a Xiaomi vem percebendo que público brasileiro gosta de variedade e está de olho em vários modelos da marca. "Atualmente, o Redmi Note 7 é o líder, disparado, na preferência do público brasileiro. Mas, para a nossa surpresa, nosso consumidor também demonstrou grande aceitação a outros modelos da marca, como o Mi 8 Lite e até mesmo o Mi 9, um modelo mais caro, que vem performando muito bem [em vendas]", declarou o executico. "O curioso é que a variante do Mi 9, o Mi 9SE, vem tendo grande procura entre os homens, por causa da pegada, enquanto as mulheres gostam mais de celulares com tela maior. São assets valiosos para tomada de decisão de produção local", completou.

Em entrevista ao Mobile Time, Barbosa afirmou ainda que manter apenas o sistema de importação é uma possibilidade. Ainda que os estudos para fabricação local estejam em andamento, a empresa está observando os movimentos do governo brasileiro sobre a redução nas taxas de importação. Caso haja uma redução das mesmas, além da ausência de incentivos à indústria da manufatura, a DL seguirá apenas como importadora.

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