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ThunderCats | A história por trás da icônica abertura do desenho

Por| Editado por Durval Ramos | 23 de Outubro de 2023 às 18h03

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Reprodução/Warner Bros Television
Reprodução/Warner Bros Television

ThunderCats, um dos desenhos mais conhecidos dos anos 1980, marcou a infância de muita gente, tendo até hoje a sua abertura gravada na memória de milhares de fãs ao redor do mundo. A introdução é adorada até hoje e tida como uma das melhores da época, mas existe uma história interessante por trás dessa abertura que escancara como era a produção, na época, de animações americanas que eram, na verdade, eram japonesas.

A abertura de um desenho, na maioria das vezes, é a melhor forma de vender a ideia da animação para um público que pode não fazer ideia do que ela se trata. Afinal, é o cartão de apresentação de qualquer obra. Por isso, entregar a melhor apresentação do que é o desenho era bastante comum. EThunderCats sabia disso muito bem, por isso resolveu fazer as coisas de um jeito diferente, priorizando estilo sobre qualquer tipo de explicação detalhada.

A criação de um clássico

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ThunderCats estreou na TV americana em 1985, com uma produção realizada pela Rankin/Bass Productions. Nessa época, era muito comum que empresas ocidentais acabassem trabalhando em parceria com animadores de estúdios japoneses, como aconteceu com a Toei na criação de Transformer. E, como você deve imaginar, as coisas não foram diferentes com Lion-O, Cheetara e Panthro.

O estúdio Topcraft, responsável pelo filme Nausicaa do Vale do Vento, clássico dirigido por Hayao Miyazaki, ficou a cargo de ajudar na animação de ThunderCats. Um dos pré-requisitos para a abertura era o uso do tema, composto por Bernard Hoffer.

Uma coisa que é bastante visível para quem assiste a qualquer desenho dos anos 1980 é que muitas cenas de ação eram relativamente sem graça, com personagens se movendo de maneira mais engessada e efeitos aplicados somente quando necessário — por isso mesmo, He-Man parecia tão revolucionário para a época. Isso porque esse tipo de animação custava bastante dinheiro, o que tornava o seu uso em todos os episódios algo praticamente impossível.

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Porém, isso não era o caso quando se tratava de aberturas. Basta se recordar do absoluto caos que algumas introduções de desenhos eram para ter uma noção disso. Em ThunderCats, os animadores usaram pouco mais de um minuto para usar a música tema, mostrar todos os heróis do jeito mais legal possível, quem eram os vilões, alguns dos cenários e ação. Tudo jogado na sua cara do jeito mais espetacular possível.

E aí está o grande segredo dos felinos de Thundera. Mais do que apenas apresentar esses elementos, a forma com que os animadores japoneses da Topcraft fizeram tornou tudo bem mais apelativo e atraente. Com uma animação bastante estilizada, ágil e dinâmica, é realmente impossível não se empolgar com a combinação da melodia com o ritmo frenético com que os personagens aparecem em tela. Repare, aliás, como o estilo de apresentação de todos esses alementos lembra muito o que vemos até hoje em aberturas de animes, seja ao mostrar quem são os protagonistas e vilões ou mesmo em como eles são colocados em pequenos momentos de ação bem empolgantes.

Essa expertise oriental deu a ThunderCats uma estétiva bem diferente daquela que outros desenhos americanos apresentavam na época. Por isso mesmo, era impossível ficar indiferente àquela loucura com gatos humanoides seminus — por mais que isso não fizesse o menor sentido. É algo tão forte que, até hoje, a gente lembra do desenho como se ele fosse muito melhor do que ele realmente é.

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Enquanto a embalagem do desenho fosse essa abertura épica, a verdade é que o recheio era um tanto quanto sem graça. A qualidade e o esmero da introdução não se repetiam dentro dos episódios, que traziam o bom e velho estilo mais simples dos cartoons americanos. Ainda assim, a potência da abertura segue tão forte que ainda lembramos mais dela do que do trabalho duvidoso que realmente marca a obra.

De ThunderCats para outros clássicos da animação japonesa

Ethan Spaulding, produtor de ThunderCats, deu uma entrevista à MTV sobre o desenho e comentou que o estúdio japonês Topcraft fechou, mas vários dos seus animadores foram trabalhar no Studio Ghibli. "De certa forma, ThunderCats deixou uma marca na história da animação japonesa", disse Spaulding.

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Um dos nomes que pularam do desenho para outros animes foi Masayuki Yamaguchi, que trabalhou em Neon Genesis Evangelion, Fist of the North Star e o filme Royal Space Force: The Wings of Honnêamise, a primeira produção do estúdio Gainax. Outro foi Tsuguyuki Kubo, diretor de animação de Naruto.

Em outras palavras, boa parte dos animes cultuados até hoje têm os pêlos dos ThunderCats preso em seu DNA.

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Thunder! Thunder! ThunderCats! HO!

Apesar de a animação de os episódios de ThunderCats não ser nada fora do normal, sua abertura traz vários elementos que chamaram a atenção do público ocidental exatamente por usar técnicas e ideias visuais que eram usadas apenas em animações japonesas, com cortes rápidos, movimentos impressionantes e um ritmo que prende a atenção de qualquer espectador.

De certa forma, a animação apresentou ao público americano, e depois para o resto do mundo, muito do que já era feito no Japão. Obviamente ThunderCats não abriu as portas da animação japonesa no ocidente com a sua abertura, mas o fato de usar tanto suas sensibilidades e sendo bem aceita na época não deixa de ser impressionante.

E tudo pra vender um desenho com uns gatos antropomórficos dando piruetas, gritando e balançando uma espada e uns pedaços de pau contra uma múmia que babava.