The Get Down transforma em música temas sobre liberdade, sonhos e oportunidades

Por Gustavo Rodrigues | 12 de Agosto de 2016 às 21h30

Na primeira parte da temporada, The Get Down viaja até o Bronx dos anos 70 para recontar fatos históricos nas batidas musicais de uma narrativa sobre liberdade, sonhos e oportunidades, mas é na montagem das cenas que os criadores da produção, Baz Luhrmann e Stephen Adly Guirgis, explicam o seu sentido: relativizar a vida dos personagens fictícios com a realidade daquela década e com o que ainda existe hoje na sociedade.

Na trama, acompanhamos Ezekiel (Justice Smith), um jovem com origens afro e porto-riquenha que vive com seus tios e é perdido de amores por sua amiga Mylene (Herizen F. Guardiola). Ele é capaz de tudo para ter uma chance com a jovem, mas não imagina que, na tentativa de conquistá-la, vai descobrir mais sobre seus dons musicais e mudar sua vida para sempre ao lado dos parceiros Ra-Ra (Skylan Brooks), Boo-Boo (Tremaine Brown Jr.) e Dizzee (Jaden Smith).

The Get Down

Para fazer com que a trama seja mais natural, o episódio de abertura é o mais longo dos seis que formam a primeira metade da temporada — divisão que foi adotada pela Netflix para a série. Nele, a cultura dos negros que vivem no Bronx ganha forma nos grafites, musicas e vestuário dos moradores, mostrando a riqueza cultural que existe num local cercado pela pobreza criada pelo falho governo dos políticos de Nova York. Para tornar a relação mais próxima e verossímil entre telespectador e público, pequenas cenas de arquivo do bairro na década de 70 são inseridos entre as filmagens da produção, assim contextualizando melhor a obra.

O estilo musical não é tão agradável para muitas pessoas, o que poderia tornar The Get Down um grande fracasso, já que as canções da trama são elementos básicos da produção. Entretanto, o roteiro consegue inseri-las de forma que não soem forçadas, assim respeitando contexto e a personalidade dos personagens. Seja nos duelos de MCs, nos hinos da igreja ou na disco music, o ritmo se faz presente sem incomodar os ouvidos do telespectador.

Mesmo que a história seja ambientada na década de 70, The Get Down não deixa de refletir fatos da realidade dos dias atuais. O racismo é um dos pontos levantados quando Ezekiel precisa fazer entrevista de estágio, a falta de oportunidade para um futuro melhor está presente em todos os episódios, a visão de desprezo à cultura da periferia é refletida quando o candidato a prefeito fala sobre grafite, a violência contra a mulher na vida das amigas de Mylene é discutida rapidamente e por aí vai. Mesmo que seja sobre um bairro dos Estados Unidos há 40 anos, é fácil fazer conexão com fatos tão próximos ao que vivemos hoje.

The Get Down

Com uma narrativa redonda para apenas a primeira metade da temporada, The Get Down consegue chamar muita atenção por seus personagens carismáticos, como o excelente Shao (muito bem interpretado por Shameik Moore), e pela forma que consegue inserir toda aura musical que a produção precisa ter para contar sua história. Para os geeks, a série pode ser um deleite pelas referências à cultura pop que fazem parte dos gostos dos jovens. Star Wars, Quarteto Fantástico e Dr. Destino são apenas alguns exemplos. Entretanto, é na realidade que está o cerne e o melhor da nova série da Netflix.

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