Crítica Desejo Obsessivo | Série da Netflix é uma grande perda de tempo
Por Diandra Guedes • Editado por Jones Oliveira |

Aproveitando a onda de soft porn que tomou conta dos streamings nos últimos meses, a Netflix lançou em abril sua nova minissérie erótica. Intitulada Desejo Obsessivo, a produção escrita por Morgan Lloyd Malcolm prometia uma trama que mescla sexo, tesão, traição e medo ao contar a história de um conceituado neurocirurgião que se apaixona pela noiva do seu filho. Acontece que tudo que vemos é uma sequência de cenas chatas, mal desenvolvidas e mal executadas.
Tensão sexual promete, mas não entrega
Em um determinado momento da trama, o espectador já sabe que não poderá esperar muito do texto, então só resta aguardar pelas cenas de sexo, afinal, como a própria Netflix definiu, Desejo Obsessivo é uma série erótica. E é aí que vem mais uma decepção.
O sexo entre Anna e William é tão sem razão de ser que fica difícil despertar qualquer mínimo interesse no espectador. Eles não conversam, não trocam carícias e se limitam a uma sucessão de momentos constrangedores.
Em uma determinada cena, William — adoecido pela sua obsessão e ciúmes — persegue Anna até o hotel onde ela está hospedada com o noivo, e quando eles saem, aluga o mesmo quarto para sentir o cheiro dela. Erro crasso do roteiro, uma vez que todo mundo sabe que quando um hóspede deixa um quarto, uma equipe de limpeza o higieniza.
Relevando esse detalhe, o famoso cirurgião se agarra a uma almofada com o cheiro da moça e "transa" com a cama. É tão vergonhoso que chega a dar dó de Richard Armitage, que teve que fazer tal cena.
Clímax é desperdiçado
Se nem o sexo e nem o texto funcionam, fica difícil criar expectativa que algo mais possa salvar Desejo Obsessivo. Mas o momento em que Jay flagra seu pai e sua noiva transando chama a atenção. É ali que o espectador vê um fio de esperança de que agora a série vai engrenar. Só que isso não acontece.
Infelizmente, o único momento de clímax da série termina com o rapaz caindo da escada do prédio e morrendo. Uma morte meio besta e um tanto quanto forçada.
A história por trás do jeito esquisito de Anna também chama atenção. Em determinado momento descobrimos que seu irmão se matou após ter se apaixonado por ela e não ter sido correspondido. Isto parece ter criado algum transtorno na garota, que se viciou em ser uma femme fatale e seduzir todos ao seu redor.
Quando sua mãe conhece Jay, ela logo percebe a semelhança entre seu filho morto e o rapaz, dando um indício de que Anna não superou o acontecido e ainda busca no noivo alguma coisa que lembre o irmão. Esse gancho é, realmente, interessante, mas a série perdeu uma grande oportunidade de aprofundá-lo e simplesmente deixou tal história de lado.
Final não chama atenção
Depois de tantos tropeços no texto, o público pode terminar Desejo Obsessivo cansado de tanta bobagem. Mesmo com apenas quatro episódios, a história é tão mal contada que causa tédio. Sendo assim, o episódio final é só mais um monte de baboseira, e mostra William procurando por Anna, ela se afastando dele e começando a fazer terapia.
Em determinado momento, o terapeuta lhe faz uma pergunta e ela responde dando a entender que se atraiu por ele e que começará mais um jogo de sedução. E assim acaba a série, que começou sem muito sentido e que termina sem um final decente.
É com esse enredo e essa má execução que Desejo Obsessivo se firma como uma das piores séries do serviço de streaming, não valendo o tempo do assinante. Mas se você quiser assisti-la para tirar suas próprias conclusões, basta dar o play na Netflix.