Crítica | Better Call Saul acerta na transição de Jimmy na temporada 5

Por Natalie Rosa | 23 de Abril de 2020 às 09h33
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Breaking Bad chegou ao fim em 2013, mas não demorou muito para deixar uma herança temporária na televisão: Better Call Saul. A série, que conta a história de vida de Saul Goodman (Bob Odenkirk), que na verdade se chama Jimmy McGill, estreou em 2015 e acaba de finalizar a sua quinta e penúltima temporada.

Não se fala tanto por aí de Better Call Saul quanto se falava de Breaking Bad, mesmo que as discussões na internet se tornem cada vez mais acaloradas, independentemente do tema. Infelizmente, parece que muitos fãs vêm deixando passar a preciosidade que é este prequel. Ao longo de quatro temporadas, pudemos conhecer como foi a vida de Jimmy até que ele se tornasse essa figura tão misteriosa e adoravelmente odiável que é Saul Goodman.

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Atenção: este texto pode conter spoiler de Better Call Saul!

Sua trajetória não foi nada fácil, enfrentando por muitos anos obstáculos financeiros, de carreira e família. Toda a dor de Jimmy foi expressada com muita delicadeza e cuidado nos primeiros episódios da trama, camuflando em meio à violência de Albuquerque as dores internas do personagem. Na quinta temporada, no entanto, vemos o alter-ego de Jimmy finalmente tomando forma.

Claramente se arriscando porque não tem mais nada a perder e pela ânsia do sucesso, o envolvimento de Saul Goodman (como o chamaremos agora) com o crime começa a ganhar novos passos. Além disso, ele ganha uma nova aliada, a sua companheira Kim Wexler (Rhea Seehorn). Após vários episódios desse relacionamento estranho, com poucas demonstrações de afeto e muitos contatos feitos em entrelinhas, vemos que a personalidade vendedora de Saul, capaz de conquistar tudo e todos, bate perfeitamente com a de Kim.

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Parece tudo muito fácil para Saul, mas quando ele esteve cara a cara com criminosos armados sem defesa alguma, não soube lidar e teve como resposta um episódio de estresse pós-traumático. Quem salvou a sua vida após esse acontecimento não foi ele, não foi Jimmy, não foi (só) Mike, foi Kim. Em Breaking Bad, muito se criticava a esposa de Walter White, Skyler, acusada de "se meter" na encrenca do marido e "estragar tudo", sendo que, em nenhum momento, ela pediu para estar naquela situação e acabou se permitindo fazer de tudo para ajudar e salvar a sua família. Com Kim o resultado parece ser diferente. Saul deve reconhecer que vai precisar dela para continuar seguindo nessa missão, que já demonstra sinais de que não vai acabar, com Kim desejando fazer parte disso tudo.

Os acontecimentos de Breaking Bad e Better Call Saul começam a entrar em paralelo nesta quinta temporada, fazendo uma transição perfeita dessa nova pessoa que é Jimmy e no que resultou tudo o que vimos nas temporadas anteriores. O cartel, a máfia, os crimes da cidade de Albuquerque, os Salamancas, a Mesa Verde, a HHM, Gus Fring e todos esses cenários da série conseguem contar uma bela história do mundo do crime e da advocacia, mas que não se trata de violência e sim da formação de um ser humano com o que é oferecido ao seu redor, suas habilidades e possibilidades. É sobre não ser valorizado e acabar descobrindo quem você é de uma forma triste, mas promissora.

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Better Call Saul conseguiu, não só na quinta temporada, levar à tela os aprendizados de Breaking Bad na construção do personagem Saul Goodman, e agora nos resta esperar pela última temporada e seus fechamentos com os personagens principais e secundários, vendo como o bastão será entregue para os acontecimentos que nós já conhecemos.

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