Você sabia que Sexta-Feira 13 também foi um vírus que infectou PCs mundo afora?

Por Rui Maciel | 13 de Setembro de 2019 às 12h35

Em tempos de spywares, phishing, spoofings e outros cibergolpes cada vez mais sofisticados, a gente quase tem saudade da “inocente” época do primórdios da computação, onde a maior preocupação era com vírus que comprometiam o desempenho dos PCs. Mas, mesmo naquela época, alguns desses vírus traziam muita dor de cabeça para muita gente -  e um deles cai sob medida para a data de hoje: o Sexta-Feira 13.

Também conhecido como Jerusalém, esse vírus foi criado em 1987 e planeja se espalhar no dia 14 de maio de 1988, para “celebrar” o 40º aniversário da criação do estado judeu. Não por acaso, ele foi detectado pela primeira vez pela Hebrew University of Jerusalem. Como a internet ainda engatinhava naquela época, seu método de propagação era mais, digamos, local: ele se espalhava através de disquetes, CD-ROM  e anexos em e-mails. Para ativar o Sexta-Feira 13, bastava que o calendário do PC marcasse essa mesma data. A partir daí, todos os programas e arquivos que estavam sendo utilizados eram infectados e eliminados.


O Sexta-Feira era especialmente efetivo em sistemas MS-DOS/ Crédito: Sophos

Espalhando o terror

O Sexta-Feira 13 tinha um tamanho de 419 bytes e infectava arquivos com as extensões “.com”, “.exe” e “.sys” e ampliava o tamanho dos mesmos sempre que eles eram executados no PC. Além disso, o vírus reduzia a memória disponível no computador e fazia com que o MS-DOS - o sistema operacional mais usado na época -  ficasse mais lento. E, como dissemos acima, ainda deletava tudo o que via pela frente.  

Para completar, o Sexta-Feira 13 pertencia à categoria dos vírus “bomba-relógio”, ou seja, caso não fosse eliminado, ele ficava “hibernando” na máquina, sendo ativado em todas as sextas-feiras 13, apagando os arquivos que eram usados naquele dia. Outros códigos maliciosos dessa categoria que fizeram “sucesso” na época eram o Michelangelo, o Chernobyl e o Conficker, também conhecido como 1º de Abril.

O Sexta-feira 13 em ação: pior que o Jason? / Crédito: Gizmodo

Mesmo em uma época em que o acesso à internet era limitado, o Sexta-Feira 13 conseguiu fazer estragos mundo afora. Ele espalhou por diversos países, instituições, empresas e universidades, infectando milhares de computadores.

O Sexta-Feira 13 fez tanto barulho mundo afora que foi tema dos principais veículos da época. No dia 08 de outubro de 1989, o jornal The New York Times (sim, meus jovens, matérias sobre Tecnologia eram veculadas em jornal de papel, vejam vocês) publicou uma matéria sobre o malware com previsões catastróficas. Entre as citações ao vírus na reportagem, está a de Pamela Kane, presidente da Paralex Ltd., que dizia que o Sexta-feira 13 "é um verdadeiro assassino, um dos mais desagradáveis que já vimos". Já Winn Schwartau, então presidente da American Computer Security Industries, sediada em Nashville, afirmou: "Não quero enganar ou criar um clima de pânico, mas estamos lidand com algumas empresas que possuem 10 mil PCs em rede. Nós já fornecemos software de vacina para 22 mil computadores em uma instalação no Canadá. Esse software foi desenvolvido para encontrar e neutralizar o vírus". 

Tempos inocentes...

Matéria do New York Times sobre o Sexta-feira 13

Como “matar” o Sexta-Feira 13?

As recomendações da época em que o vírus começou a se espalhar eram as mesmas que usamos hoje: manter o sistema operacional e as soluções de segurança (como os antivírus) sempre ativados. Além disso, jamais abrir e-mails, links e anexos de origem desconhecida. Enfim, o básico. No entanto, alguns especialistas daqueles tempos também recomendavam uma solução mais, digamos, artesanal: eles aconselhavam aos usuários de PCs que alterassem o relógio do sistema para evitar que o computador "pensasse" que era sexta-feira 13 e fosse direto para o sábado, dia 14. Dessa forma, o código não seria ativado. 

Além disso, o Sexta-Feira 13 acabou perdendo seu poder de destruição com a chegada do Windows e com o desenvolvimento de soluções de segurança mais eficientes. Com isso, a atuação do código ficou restrita à máquinas que ainda rodavam o MS-DOS. Hoje, é possível que o código esteja extinto ou, na melhor das hipóteses, armazenado em cópias que estão nas mãos de pesquisadores especializados em segurança digital.  

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