Vlog do roubo: bandido vira "influencer" de furto e posta crimes no Instagram
Por Jaqueline Sousa • Editado por Jones Oliveira |

O furto de celulares ganhou uma nova cara em São Paulo: de acordo com uma reportagem da Folha de S. Paulo, um grupo criminoso que se intitula “gangue do 55” está registrando a realização dos próprios furtos para publicar os vídeos nas redes sociais, como o Instagram.
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Segundo a apuração do veículo, os integrantes gravam o momento do furto, uma filmagem que é feita tanto por aqueles que cometem o delito quanto pelos comparsas que testemunham o crime.
Geralmente, o modus operandi dos criminosos, que aparentam ser rapazes menores de idade, consiste no ataque das vítimas em bicicletas, quebrando vidros de carros ou até mesmo em estações de metrô para realizar o furto.
Todas as filmagens são compartilhadas nas redes sociais com comentários e emojis que exaltam o crime, além de músicas que comemoram o delito em tom de ironia e piada.
Os registros costumam evidenciar ainda o nome da gangue, que faz uma alusão ao Artigo 155 do Código Penal brasileiro, que trata do crime de furto.
Exposição das vítimas nas redes sociais
Com vídeos que possuem milhares de visualizações na internet, a gangue do 55 costuma expor a identidade das vítimas após filmá-las durante o ato criminoso, que acontece nas ruas. Na grande maioria dos casos, os criminosos publicam imagens pessoais armazenadas nos celulares furtados, como aconteceu com uma jovem que, após ser roubada, teve vídeos seus brincando com o filho publicados nas redes.
Outro caso semelhante identificado pela análise da Folha foi o de Rafael Garcia, especialista em logística que foi atacado dentro do carro pela gangue no cruzamento da rua da Consolação com a avenida Paulista no ano passado. No mesmo dia do crime, vídeos pessoais de Rafael com a namorada foram publicados na internet, expondo informações sensíveis da vítima.
A exposição dos crimes nas redes sociais não para aí. Perfis associados aos integrantes da gangue do 55 exibem celulares furtados e jovens posam para fotos com maços de dinheiro, quantias arrecadadas a partir dos crimes. Também são feitas provocações para as vítimas com frases como “Moscou, nóis levou" e "Na cidade, é nóis que manda em todo lugar que passa".
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo afirmou que as forças policiais seguem em “atuação constante e integrada na redução de crimes patrimoniais”. Já a Meta informou que as políticas da companhia "não permitem o uso de serviços para promover atividades criminosas ou conteúdos que glorifiquem, apoiem ou representem organizações e indivíduos perigosos" e recomendou a denúncia desses conteúdos.
Caso você tenha passado por algo parecido, aproveite para saber como bloquear um celular roubado.
Fonte: Folha de S. Paulo