Trojan para Android imita app do INSS para roubar usuários no Brasil
Por Lillian Sibila Dala Costa • Editado por Jones Oliveira |

Um novo malware focado no Brasil, chamado BeatBanker, está usando um aplicativo falso do INSS para atacar celulares Android, transformando o aparelho em um centro de mineração de criptomoedas e roubando dados da vítima. O app fake é chamado INSS Reembolso, sendo encontrado em diversas versões diferentes.
Para entregar a versão fraudulenta, os cibercriminosos também emulam a Google Play Store com uma página web falsa chamada cupomgratisfood.shop. Junto ao aplicativo, no entanto, está um trojan com várias capacidades de extração de dados e instalação de malwares subsequentes.
BeatBanker e capacidades hackers
Para escapar de detecção, o trojan utiliza inúmeras táticas: sua execução, por exemplo, é diretamente na memória do celular, não deixando traços no armazenamento. Como antivírus mobile buscam arquivos suspeitos, não encontrarão nada.
O agente malicioso também detecta se está em ambiente simulado, como uma máquina virtual, tática usada por antivírus e pesquisadores para identificar e estudar vírus. Caso note estar sendo analisado, o malware encerra as atividades na hora.
Ele também toca um áudio de cinco segundos em loop eterno, com volume baixíssimo, garantindo que o processo continue ativo: o sistema operacional entende que interromper áudios seria ruim para o usuário. Uma notificação fake de atualização do sistema fica fixada nas notificações, o que leva para outras etapas de invasão.
Ao clicar na notificação, o malware baixa um minerador de criptomoedas, que toma cuidado para não superaquecer o aparelho ou gastar demais a bateria. A comunicação com o servidor hacker é escondida entre comunicações legítimas do Firebase Cloud Messaging, da Google. O BeatBanker também instala um módulo bancário que pede permissões de acessibilidade para ganhar controle de todas as funções do celular.
Em outras versões, é entregue o BTMOB RAT, trojan de acesso remoto disponível para hackers como serviço (MaaS): em outras palavras, o acesso ao seu celular é vendido para outros cibercriminosos. O malware é capaz de gravar a tela, o teclado (keylogging), as câmeras e a localização da vítima.
Fonte: Securelist, Kaspersky