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SuperDaE: O hacker que enfrentou Microsoft e FBI e fugiu para contar a história

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Jiří Hošek/iROZHLAS
Jiří Hošek/iROZHLAS

Perth, Austrália, 2012: um rapaz de 17 anos conseguiu, antes de todo o mundo, um kit de desenvolvimento do Durango, codinome do Xbox One, meses antes do lançamento. Isso não deveria existir fora dos estúdios da Microsoft, mas Dylan já brincava com o Dev Kit do console quando o mundo ainda especulava sobre a novidade.

Conhecido pelo pseudônimo de hacker SuperDAE, o sujeito se chama, na verdade, Dylan Wheeler, e sua traquinagem resultou em uma batida policial em casa e até mesmo envolvimento de agências internacionais, como o FBI. Mas como ele invadiu a Microsoft e se safou dessa?

Como SuperDAE hackeou a Microsoft

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Apesar do pesado título de “hacker”, Dylan não era um gênio do mal, mas sim um adolescente que nasceu no mundo digital, era muito inteligente e estava entediado. Além do conhecimento técnico, ele sabia conversar e manipular pessoas, usando de engenharia social para atingir seus objetivos.

Com isso, em 2012, já havia invadido a Epic Games e vazado informações sobre Gears of War 3, por exemplo. SuperDAE buscava, no final das contas, a emoção de conseguir as informações e o troféu de chegar lá antes de todos, e não dinheiro ou fama.

Viajando por fóruns públicos, Dylan conseguiu descobrir as credenciais de desenvolvedores da Microsoft e acessou os portais da Partner Network da empresa. Com isso, ele usou as credenciais falsas para requisitar o dev kit digital  do Durango: a burocracia da empresa acabou favorecendo a conquista do rapaz.

A audácia chegou longe, e, sob o pseudônimo de SuperDAE, ele tentou revender o kit no eBay montado como uma máquina física, publicamente, por US$ 15.000 (à época, cerca de R$ 30.750) atraindo a atenção das autoridades.

Um vazamento marcante e o destino de Dylan

Com a revelação do dev kit, vazaram as especificações técnicas do Xbox One e surgiu a polêmica do Always Online, a exigência de que o console deveria estar conectado à internet 24h por dia para funcionar.

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A reação negativa do público foi alta, com rejeição dos gamers antes mesmo do lançamento do console. A Microsoft acabou forçada a reestruturar a estratégia de marketing e reforçar a segurança da propriedade intelectual.

Quanto a Dylan, a Austrália confiscou os equipamentos em posse do adolescente, seu passaporte e dinheiro a pedido dos EUA. As acusações contra o australiano poderiam somar décadas de prisão. Temeroso, ele conseguiu fugir para a República Tcheca: mesmo sem seu passaporte, o jovem aproveitou brechas legais para escapar.

Atualmente, o australiano continua vivendo na Europa, entre o Reino Unido e a Tchéquia, passando tempo o suficiente para a prescrição dos crimes. As tentativas de extradição perderam a força e ele passou a viver tranquilamente, trabalhando na área de tecnologia e segurança, usando o conhecimento para consultoria na proteção de sistemas e educando jovens para que não se tornem hackers maliciosos.

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