Pressionada pela China, dona do TikTok reforça segurança de dados antes de IPO

Pressionada pela China, dona do TikTok reforça segurança de dados antes de IPO

Por Felipe Gugelmin | Editado por Claudio Yuge | 12 de Julho de 2021 às 14h20
Divulgação/ByteDance

Avaliada como um dos maiores unicórnios do mundo — empresas que ultrapassam a avaliação de US$ 1 bilhão antes de abrir seus capitais —, a chinesa ByteDance decidiu adiar por tempo indeterminado sua chegada ao mercado de ações. Segundo uma reportagem do Wall Street Journal, a empresa criadora do TikTok foi aconselhada por autoridades chinesas a reforçar sua segurança de dados antes de fazer sua oferta inicial (IPO, na sigla em inglês) na Bolsa de Valores de Nova York.

Fontes ligadas à empresa afirmam que a decisão foi tomada no final de março, após o fundador Zhang Yiming se reunir com reguladores especializados em cibersegurança e em valores mobiliários. Na ocasião, o executivo foi aconselhado a reforçar a segurança de seus dados e outras questões relacionadas, recomendação que está sendo seguida desde então.

Imagem: Divulgação/TikTok

Outro ponto que forçou o adiamento das aberturas das ações da ByteDance na bolsa de valores é que, na época, a corporação não possuía alguém ocupando o posto de diretor financeiro (CFO). Em dezembro de 2020, a empresa foi avaliada em mais de US$ 180 bilhões (R$ 936 bilhões) em uma rodada de financiamento, e relatos mostram que seus diretores já estudam há algum tempo a possibilidade de fazer uma oferta inicial de ações nos Estados Unidos ou em Hong Kong.

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China aumenta pressões regulatórias

Desde novembro do ano passado, autoridades chinesas têm reforçado a fiscalização sobre as empresas de tecnologia que operam no país. Entre as preocupações do governo local está o comprometimento das informações destas companhias como resultado de uma maior divulgação de seus nomes após serem listadas nos Estados Unidos.

Outro ponto que tem recebido mais atenção é a forma como essas organizações usam e armazenam dados de usuários, garantindo que eles não são usados para violar os direitos de consumidores. Entre as companhias afetadas pelas mudanças nas regras estão grandes nomes como o Alibaba Group e a companhia de entregas Meituan.

Imagem: Divulgação/ByteDance

Enquanto empresas de tecnologia chinesas não são obrigadas a passar por uma análise de órgãos regulatórios para abrir suas ações no exterior, esse processo (feito de maneira informal) se tornou comum a partir do final de 2020. A mudança é uma consequência das tensões entre o país e os Estados Unidos, que teve efeitos diretos sobre a ByteDance — em meio à possibilidade de o TikTok ser banido do país, a empresa chegou a cogitar uma venda do app para a Oracle.

Além da pressão externa, a ByteDance também enfrenta questões internas. Embora não tenha recebido um pedido formal para adiar sua abertura de ações, a empresa teve que explicar ao governo chinês como coletava, armazenava e gerenciava dados de aplicativos populares como o Douyin (para a criação de vídeos curtos) e o Jinri Toutiao, que informa as notícias diárias.

Outro elemento que permite à companhia adiar sua entrada na bolsa é sua lucratividade: em junho, ela divulgou que teve receita de US$ 34,3 bilhões (R$ 178 bilhões) e lucro bruto de US$ 19 bilhões (R$ 98,73 bilhões) em 2020, muito disso graças ao sucesso de sua plataforma de publicidade. Isso ajudou a acalmar os ânimos de seus acionistas e garantiu a estabilidade necessária para que ela possa lidar com as recomendações de autoridades regulatórias antes de prosseguir com seus planos.

Fonte: Wall Street Journal

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