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Perdas por fraudes impactaram 95% das empresas no Brasil nos últimos 3 anos

Por| Editado por Claudio Yuge | 08 de Junho de 2022 às 23h00

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A Kroll, empresa de gestão de riscos corporativos, divulgou nesta segunda-feira (6) os resultados de seu último Relatório Global de Fraude e Risco, que indicam que as organizações no Brasil estão sofrendo impactos significativos de fraudes e atividades ilícitas, mesmo quando estão investindo em ferramentas como a análise de dados para mitigar proativamente os riscos.

O estudo foi realizado com 1.130 tomadores de decisões sêniores sobre estratégia de risco, entre eles CEOs e diretores das áreas jurídica, de compliance e financeira. De acordo com a maioria dos entrevistados (82% globalmente), suas empresas foram significativamente afetadas por fraudes, corrupção, atividades ilícitas, lavagem de dinheiro e outras ocorrências graves de conduta indevida.

A pesquisa mostra que, no cenário brasileiro, a avaliação dos controles internos é favorável, com 78% dos entrevistados dizendo que as medidas para evitar corrupção de suas organizações são eficazes para prevenir e detectar atividades de alto risco — acima da média global (74%). Além disso, a maioria dos entrevistados no Brasil (83%) disse que suas empresas utilizam atualmente a análise de dados para detectar proativamente o suborno e o risco de corrupção. Entretanto, apesar desta percepção otimista, o efeito da fraude permanece impressionante: 75% dos entrevistados no Brasil reconheceram impactos significativos da fraude.

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Em resposta aos altos índices relatados de condutas ilícitas, três quartos (75%) das organizações pesquisadas no Brasil declararam ter realizado investigações internas nos últimos três anos, ligeiramente abaixo da média global de 78%.

Dado esse contexto, a diretora-geral da Kroll para a América Latina, Fernanda Barroso, considera que é necessário reforçar a fiscalização por parte das empresas. “Os tipos de fraudes evoluíram na pandemia, tendo em vista a mudança abrupta na forma de trabalho e no acesso a redes corporativas. Foi necessário um amadurecimento forçado e acelerado no framework de gestão de riscos para que pudéssemos nos adequar ao momento, mas ainda insuficiente, pois as perdas com fraudes continuam expressivas”, explica a executiva.

Custo de serviços de investigação sobre fraudes estão aumentando

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Globalmente, o cenário mostrado pela pesquisa da Kroll não muda muito em relação ao do Brasil. Enquanto a maioria (90%) dos entrevistados no setor de transporte, lazer e turismo relatou que suas empresas foram afetadas por fraudes graves, apenas 65% das organizações deste setor conduziram uma investigação interna nos últimos três anos.

Quase todas as empresas (98%) que realizaram investigação interna contaram com a ajuda de organizadoras externas para a realização das avaliações, sendo que os consultores mais solicitados pertenciam à área de eDiscovery (computação forense) (55%), seguidos por empresas de investigação (47%). Ao mesmo tempo, quase 75% dos entrevistados afirmaram ter observado nesses serviços aumento do custo das avaliações em relação aos últimos três anos, principalmente em relação a empresas com maior volume de receita — consequência da complexidade de operações globais.

“As fraudes podem ser solucionadas por meio do desenvolvimento do entendimento sobre os principais dados dentro da empresa, como a criação de uma estrutura robusta de governança de dados que classifique e liste as informações dados proativamente e a aplicação de tecnologias como inteligência artificial e machine learning, para aprimorar os processos. Dessa forma, os dados e insights podem ser usados nas decisões estratégicas e respostas para exigências regulatórias. As fases posteriores do processo de investigação também se tornam muito mais eficientes, com economia de tempo e de custos”, afirma Andy Gandhi, diretor e líder global da área de Data Insights and Forensics da Kroll