Para onde vão os celulares roubados? Saiba como evitar um prejuízo maior
Por Elisa Fontes |

O roubo e o furto de celulares são alguns dos crimes mais comuns do Brasil e causam transtornos que vão além do impacto financeiro e do trauma para as vítimas. Esse tipo de transgressão se tornou uma das portas de entrada para que criminosos alcancem dados pessoais e a identidade digital dos donos dos aparelhos. Épocas como o Carnaval reacendem a preocupação: para onde vão esses celulares e como proteger sua vida digital?
- Teve o celular roubado? Saiba o que fazer e como se proteger
- Como rastrear um celular roubado ou perdido | Samsung, Xiaomi e iPhone
Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) no ano passado, mostram uma realidade alarmante:
- Somente em 2024, foram 917.748 celulares roubados e furtados no país, um número ainda bastante alto, mas que representou uma queda de 13,4% em relação ao ano anterior.
- Em relação a 2025, os dados continuam sendo compilados, mas a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo divulgou o registro de mais de 154 mil aparelhos roubados ou furtados apenas na capital entre janeiro e dezembro.
Esse panorama, segundo o pesquisador sênior do FBSP Leonardo Silva, tem relação com uma mudança de foco na motivação dos crimes. Se antes o valor agregado ao celular era de maior interesse para a revenda ilegal, agora o acesso aos dados da pessoa tem mais “valor” no crime.
“Você vai concentrando ali no celular uma série de dados pessoais que muitas vezes você não fala para as pessoas, mas deposita no seu celular e menciona eles por mensagem. Isso gera um conjunto de oportunidades para quadrilhas”, afirma.
Segundo o especialista, em furtos, criminosos tentam manter o aparelho desbloqueado, enquanto nos roubos, a abordagem tem sido mais violenta, muitas vezes com uso de arma de fogo, para coagir a vítima a entregar a senha de desbloqueio ou de aplicativos de banco.
O caminho dos celulares roubados e a chance de recuperação
O pesquisador do Fórum explica que, geralmente, o produto fruto de um crime ganha “aparência de legalidade” com uma nota fiscal fraudulenta e é revendido em plataformas de comércio. Há também quadrilhas que exportam esses aparelhos para países da África e da Ásia, onde o Brasil não possui acordos de cooperação de compartilhamento de dados para bloqueio, permitindo que eles continuem funcionando, explica Leonardo.
Iniciativas como a do Governo do Piauí com o programa “Protege Celular” viraram cases de como o poder público pode combater esse problema. O aplicativo desenvolvido pela Segurança Pública do estado permite o usuário cadastrar o IMEI (número de identificação) do seu aparelho para que, em caso de furto ou roubo, a polícia consiga localizá-lo.
Esse modelo, lançado em 2020 e que ajudou a reduzir os crimes no Piauí, inspirou o Celular Seguro do governo federal, lançado três anos depois. Para Leonardo, o mérito do sistema está no desmonte de uma parte importante do problema, que é a destinação e receptação de celulares roubados, e na localização e devolução ao dono legítimo.
Como deixar seus dados mais seguros
Especialistas alertam que os cuidados com a segurança física devem se estender ao digital. Marcos Antonio Simplicio Junior, professor e pesquisador da Poli-USP, afirma que a principal medida de segurança é a conscientização do usuário em adotar práticas que dificultam a ação de criminosos, como:
- Evitar repetir senhas e deixá-las anotadas no aparelho: usar gerenciadores de senhas com uma senha mestra forte é a recomendação por possuírem criptografia;
- Esconder aplicativos de banco: segundo ele, existem aplicativos que escondem e bloqueiam apps críticos com uma senha extra;
- Baixar o Celular Seguro: ter ferramentas que permitem o bloqueio rápido e remoto do aparelho é fundamental.
Confira outros conteúdos do Canaltech: