Golpistas lucram no YouTube Shorts com vídeos copiados do TikTok

Golpistas lucram no YouTube Shorts com vídeos copiados do TikTok

Por Felipe Demartini | Editado por Claudio Yuge | 14 de Janeiro de 2022 às 18h20
Divulgação/Youtube

O formado YouTube Shorts vem sendo usados por golpistas como uma forma rápida de obter lucros e gerar contas populares a partir de conteúdos copiados do TikTok. O foco está nos memes e vídeos de dança, que arrebanham rapidamente milhões de visualizações e seguidores para canais, enquanto se aproveitam da popularidade e das criações de terceiros para facilitar ganhos por meio de programas de monetização e links patrocinados.

Um dos alertas feitos pela empresa especializada em segurança Tenable é justamente sobre esse segundo aspecto, uma ameaça adicional aos usuários e acima do plágio de materiais de outras redes sociais. As afiliações usadas costumam levar os visitantes a sites adultos ou com conteúdo potencialmente malicioso, gerando ainda mais receita para os criminosos e aumentando o risco de golpes para os espectadores.

O estudo contou com uma análise de 50 canais, todos envolvidos na republicação não autorizada de conteúdos; foram 38,2 mil vídeos e um total de 3,2 bilhões de visualizações, além de uma soma de três milhões de inscritos.

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Vídeos populares copiados do TikTok são usados como isca para a publicação de links que levam a sites com programas de monetização e conteúdo suspeito (Imagem: Reprodução/Tenable)

Em um dos casos analisados pelo levantamento, um desafio de dança copiado do TikTok e publicado no YouTube Shorts obteve 10 milhões de visualizações. Como comentário fixado, estava um link para um site de relacionamento adulto que paga de US$ 2 (R$ 11 na conversão atual) a US$ 4 (R$ 22) por cadastro realizado pelos visitantes, maximizando os ganhos dos responsáveis pela publicação além da monetização dos vídeos curtos em si, enquanto seus criadores originais não recebem nenhum centavo.

A Tenable também encontrou casos em que a popularidade dos Shorts plagiados foi usada para vender produtos de qualidade duvidosa ou remédios para perda de peso sem comprovação. Leggings de academia, por exemplo, eram vendidas por mais de US$ 35 (R$ 193), com direito a imagens de criadoras também copiadas de outras redes sociais, enquanto os produtos, em si, são de baixa qualidade ou falsificados, muitas vezes custando menos da metade em sites chineses. Isso, claro, se considerarmos que o produto efetivamente chegará aos compradores.

Produtos de qualidade duvidosa e remédios de emagrecimento também são vendidos a partir dos vídeos populares republicados no YouTube Shorts (Imagem: Reprodução/Tenable)

Na maioria dos casos, porém, não há nem mesmo uma preocupação em se passar pelos criadores originais, com alguns dos canais deixando clara sua intenção de ser, apenas, um hub de republicação de conteúdos do TikTok. Enquanto isso, a popularidade dos espaços também atrai a atenção de bots de spam e comentários, que também tentam enviar links e solicitações suspeitas pelas áreas de comentário — como não há moderação ativa (nem interesse em fazer isso), eles permanecem lá como um perigo adicional.

Golpes com alcance gigante

“Esses tipos de golpes migram de plataforma em plataforma, com a presença de golpistas sendo quase como um rito de passagem para novos serviços”, explica Satnam Narang, engenheiro de pesquisa da Tenable. Apesar de comum, ele afirma que essa é uma tendência alarmante, principalmente quando se fala de vídeos curtos como os do Shorts. “O enorme alcance potencial e público embutido criam um terreno fértil”, completa.

Até o final de 2022, a monetização de vídeos do Shorts está sendo realizada por meio de um fundo de recompensas criado pelo YouTube, que vai distribuir US$ 100 milhões (R$ 552,03 milhões) entre os criadores de conteúdo como incentivo para a criação de vídeos curtos. As regras, porém, tornam inelegíveis os vídeos com marcas d’água de outras redes ou conteúdos que não sejam originais.

Em pronunciamento, o YouTube afirmou que conteúdos com o intuito de falsificar canais ou a identidade de uma pessoa não são permitidos, enquanto todos os materiais devem estar de acordo com suas regras, incluindo aquelas sobre direitos autorais. De acordo com as normas, os criadores só podem enviar vídeos que tenham produzido ou possuam autorização para compartilhar, com a empresa indicando o uso de ferramentas de gerenciamento e denúncia para aqueles que tiverem seus direitos de autor lesados.

O Canaltech também entrou em contato com o TikTok, que não respondeu até a publicação da reportagem.

Fonte: Tenable

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