Gartner projeta as 5 principais tendências de privacidade digital até 2024

Gartner projeta as 5 principais tendências de privacidade digital até 2024

Por Dácio Castelo Branco | Editado por Claudio Yuge | 02 de Junho de 2022 às 23h40
Pexels

A privacidade digital, no mundo inteiro, está cada vez mais adquirindo mais importância e regulações a longo prazo, o que faz com que empresas tenham que se preparar para as demandas legais — com a firma de consultoria Gartner prevendo que o orçamento anual médio das grandes companhias para privacidade de dados excederá US$ 2,5 milhões (quase R$ 12 milhões na cotação atual) até 2024, principalmente por conta de adequações e implementações de tendências tecnológicas relacionadas ao setor.

Para o Gartner, no futuro dessa área, as empresas terão que focar em cinco tendências específicas: sistemas para localização de dados; técnicas de computação aprimorada de privacidade (PEC – do inglês Privacy-Enhancing Computation); recursos para Governança de Inteligência Artificial; modelos de experiência de usuários (UX) centrado em privacidade; e políticas de controle para o trabalho híbrido. Detalhamos elas a seguir:

Localização de dados

Os riscos para uma estratégia de negócios que envolvem vários países impulsionam uma nova abordagem para os projetos e para a aquisição de soluções em Nuvem em todos os modelos de serviço, pois os líderes de segurança e gerenciamento de risco enfrentarão um cenário regulatório desigual, com diferentes regiões exigindo diferentes estratégias de localização — resultando no aumento da importância do planejamento de localização de dados, que passará a ser uma prioridade máxima no projeto e aquisição de serviços Cloud.

Tendências técnicas de computação aprimorada de privacidade (PEC)

O processamento de dados em ambientes não confiáveis, como na Nuvem Pública, e o compartilhamento e análise de dados multipartidários tornaram-se itens fundamentais para o sucesso de uma organização. Em vez de adotar uma abordagem difusa, a crescente complexidade dos mecanismos e arquiteturas de data analytics exige que os fornecedores incorporem um recurso de privacidade por design. A difusão dos modelos de Inteligência Artificial e a necessidade de treiná-los é apenas a mais recente adição às preocupações com a privacidade.

Ao contrário dos controles comuns de segurança de dados não utilizados, a computação de aprimoramento de privacidade (PEC) protege os dados em uso. Como resultado, as organizações podem implementar processamento e análise de dados que antes eram impossíveis devido a questões de privacidade ou segurança — com o Gartner prevendo que até 2025, 60% das grandes organizações usarão pelo menos uma técnica PEC em análise, inteligência de negócios e/ou computação em Nuvem.

Governança de Inteligência Artificial

Empresas, nos próximos dois anos, deverão saber como aplicar governança de IA para segurança de dados. (Imagem: Reprodução/Gerd Altmann/Pixabay)

A pesquisa do Gartner descobriu que 40% das organizações tiveram uma violação de privacidade de Inteligência Artificial e que, dessas violações, apenas uma em cada quatro era maliciosa. Quer as organizações processem dados pessoais por meio de um módulo baseado em Inteligência Artificial integrado a uma oferta de fornecedor ou por uma plataforma discreta gerenciada por uma equipe interna de ciência de dados, os riscos à privacidade e o possível uso indevido de dados pessoais são claros.

“Uma vez que a regulamentação da IA se torne mais estabelecida, será quase impossível desvendar os dados tóxicos ingeridos na ausência de um programa de governança da Inteligência Artificial. Os líderes de TI terão que eliminar os sistemas por atacado, com grandes custos para suas organizações e sua posição", avalia Nader Henein, Vice-Presidente e Analista do Gartner.

Experiência de usuários centrado em privacidade

O aumento da demanda do consumidor por direitos de assunto e o aumento das expectativas sobre transparência impulsionarão a necessidade de uma experiência de usuário (UX) de privacidade centralizada, que reúna tópicos como avisos, cookies, gerenciamento de consentimento e tratamento de solicitações de direitos de assunto (SRR) em um único portal de autoatendimento.

Essa abordagem proporciona conveniência para os principais componentes, clientes e funcionários, e gera economias consideráveis de tempo e custos. Até 2023, o Gartner prevê que 30% das organizações voltadas para o consumidor oferecerão um portal de transparência de autoatendimento para fornecer gerenciamento de preferência e consentimento.

Modelos híbridos serão ainda mais comuns

Com os modelos de engajamento no trabalho e na vida tornando-se cada vez mais híbridos, tanto a oportunidade quanto o desejo de aumentar o rastreamento, monitoramento e outras atividades de processamento de dados pessoais aumentam, e o risco de privacidade se torna primordial. Com as implicações de privacidade de um conjunto totalmente híbrido de interações, a produtividade e a satisfação do equilíbrio entre vida profissional e pessoal também aumentaram em vários setores e disciplinas.

Nesse contexto, as organizações devem adotar uma abordagem centrada no ser humano para a privacidade, e os dados de monitoramento devem ser usados minimamente e com um propósito claro, como melhorar a experiência dos funcionários, removendo atritos desnecessários ou mitigando o risco de esgotamento, sinalizando os riscos de bem-estar.

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