Estatal chinesa lançará projeto de blockchain internacional

Estatal chinesa lançará projeto de blockchain internacional

Por Munique Shih | Editado por Claudio Yuge | 26 de Maio de 2022 às 21h00
Reprodução/BSN

A Rede de Serviços baseada em Blockchain (BSN) da China vai desenvolver uma versão da popular tecnologia de contabilidade digital — que registra transações de forma descentralizada na Internet — voltada para uso em mercados internacionais. A plataforma está prevista para ser lançada em agosto deste ano.

A ferramenta chamada de Spartan Network disponibilizará uma série de opções de blockchains de código aberto — com forte interoperabilidade entre elas — para o uso dos clientes. A plataforma também será acessível para as pessoas que não tenham conhecimento sobre a tecnologia de blockchain.

A Spartan Network promete trazer uma solução completa para a implantação de aplicativos blockchain na nuvem para ajudar as empresas a aproveitar as vantagens de tempo e custo, segundo o CEO da BSN e da Red Date Technology, um dos quatro membros fundadores da BSN, Yifan He.

Um recurso importante da ferramenta será uma infraestrutura blockchain semelhante ao Ethereum para o desenvolvimento e implantação de aplicativos descentralizados (DApps), que são softwares baseados em na mesma tecnologia.

Contudo, ao contrário de outras redes blockchain, a BSN não operará por meio de criptomoedas, mas usará o dólar americano como forma de pagamento para o Gas (taxas para fazer operações na rede), visto que moedas digitais são proibidas na China.

Para o CEO da BSN, a ausência de criptomoedas no ecossistema da empresa será um grande desafio, especialmente durante os estágios iniciais, “visto que a grande maioria das pessoas na indústria de blockchain só entende de criptomoedas”.

“O objetivo disso é reduzir o custo de usar cadeias públicas para o mínimo, para que sistemas de TI e sistemas de negócios mais tradicionais possam usar cadeias públicas como parte de seus sistemas”, disse He.

A BSN tem parceria com o Centro de Informação Estatal, que é uma entidade sob o controle da Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento do governo chinês e a empresa estatal de telecomunicações, China Mobile.

A Spartan Network usará blockchain não trabalhará com criptomoedas (Imagem: Reprodução/Handout)

A Spartan Network usará blockchain, mas será segura?

O fato da empresa ser estatal pode representar um obstáculo para a expansão da sua plataforma no mercado internacional. No entanto, He disse que a BSN trabalha com muitas empresas ocidentais e se tornará open source imediatamente após o lançamento da Spartan Network.

Segundo He, a ferramenta não poderá ser acessada pelo governo chinês, o executivo disse que os usuários poderão inspecionar o código-fonte para comprovar isso quando a plataforma for lançada.

“As pessoas irão dizer que a BSN é da China e isso é perigoso. Deixe-me enfatizar: a Spartan terá um código aberto, nós não vamos acessar nada do nosso lado”, disse He.

A BSN também trabalha em um projeto para desenvolver uma rede de pagamento digital universal (UDPN) integrando moedas digitais do banco central (CBDCs) de vários países. Nos próximos cinco anos, trabalhará com bancos internacionais e empresas de tecnologia para tornar esse projeto uma realidade.

China apoia o blockchain

A China pode ter banido as criptomoedas em seu território, mas a tecnologia blockchain continua sendo uma área prioritária para o governo. As ambições globais de Pequim neste campo estão apenas iniciando com a Spartan Network da BSN.

Desde março, mais de 500 projetos de blockchain foram registrados na Administração Cibernética da China. Algumas das maiores empresas de internet da China, de Tencent a Huawei, registraram projetos.

A tecnologia ainda está muito em seus estágios iniciais, mas está sendo examinada com muita atenção em várias áreas. Segundo o presidente Xi Jinping, a China pretende aplicar a tecnologia em áreas como prevenção de fraudes, segurança alimentar e sua cadeia de fornecimento, bem como usar o blockchain para rastrear doações de caridade, entre outras coisas.

Fonte: CNBC

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