Efeito Hidra: fim do MegaFilmesHD fez pirataria crescer 20%; entenda por que
Por Lillian Sibila Dala Costa • Editado por Jones Oliveira |

Aos usuários — e às empresas de streaming, acima de tudo — um questionamento acerca do bloqueio de sites piratas sempre vem à mente: isso aumenta o consumo legal e beneficia as companhias ou apenas incentiva a busca por outros meios clandestinos? Um novo estudo das Universidades Chapman e Carnegie Mellon analisou a queda do portal brasileiro MegaFilmesHD para descobrir a resposta.
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Há mais de dez anos, em novembro de 2015, o crepúsculo do MegaFilmesHD foi resultado da Operação Barba Negra, da Polícia Federal brasileira, após cinco anos de muita fama e pirataria que chegou à marca de 60 milhões de visitas semanais. O site caiu junto a prisões dos envolvidos, confisco de carros, dinheiro e contas bancárias. Mas e o resultado?
Preço, consumo e pirataria
Não é segredo para ninguém que a pirataria continua firme e forte com sites como Cuevana, FlujoTV e Redecanais fazendo sucesso. Diversos estudos já analisaram esse mercado, como um de 2012 que mostrou um aumento entre 6% e 10% no lucro de filmes digitais após a queda do Megaupload. Outro, no entanto, mostrou que o fim do site alemão Kino.tv não aumentou o consumo legal, mas turbinou a busca por outros meios clandestinos.
O estudo mais recente buscou encontrar uma resposta mais definitiva, juntando seis meses de dados de navegação de milhares de internautas (de pirateiros inveterados a gente que nunca acessou o MegaFilmesHD), fornecidos pela Netquest.
Em geral, os veteranos da prática aumentaram a visita a outros sites piratas em 20%, bem como o engajamento, ficando 61% mais tempo nos portais clandestinos. A queda de apenas um site, afinal, não acaba com a pirataria.
Curiosamente, no entanto, o consumo legal também aumentou: a Netflix foi 6% mais visitada após a queda do MegaFilmesHD, e os antigos usuários da página ficaram 11% mais no streaming legítimo. Segundo o estudo, houve uma conexão entre o uso do site pirata e a probabilidade do internauta se tornar um assinante da Netflix após o incidente.
Há, ainda, alguns recortes demográficos: estudantes e pessoas desempregadas tinham uma menor probabilidade de virar assinantes da Netflix, mostrando que o preço ainda foi uma barreira de entrada importante. Mulheres também mostraram uma tendência maior a parar de piratear com o incidente, enquanto os homens pareceram ter redobrado esforços para achar streamings clandestinos.
A conclusão é de que a queda de sites piratas pode realmente gerar ganhos legais às empresas de streamings, mas eles são limitados ao preço do serviço: a aplicação da lei é importante nesse esforço, mas a acessibilidade também tem um papel chave no processo de conversão dos usuários. Sem uma coordenação desses elementos, a luta contra a pirataria será um eterno gato-e-rato.
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Fonte: SSRN Papers