Edward Snowden recebe autorização para morar permanentemente na Rússia

Por Felipe Demartini | 23 de Outubro de 2020 às 16h30
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Edward Snowden recebeu autorização de residência permanente na Rússia, onde está asilado desde 2013. Agora, ele pode permanecer no país por tempo indeterminado e com todas as autorizações legais para isso, em um processo que lhe foi garantido após mudanças nas leis locais de imigração, promulgadas em 2019, que facilitaram pedidos desse tipo e também o acolhimento de asilados políticos.

A informação foi confirmada pelo advogado do delator, Anatoly Kucherena, nesta quinta-feira (22). De acordo com a defesa de Snowden, ele não pretende entrar com um pedido de cidadania russa e, inclusive, considera retornar a seu país-natal, os Estados Unidos, caso receba a garantia governamental de que será submetido a julgamentos e outros processos legais corretos e justos.

Snowden é procurado pelos americanos sob acusações de espionagem após vazar segredos de estado para a imprensa. Ele foi o responsável por detonar um escândalo de vigilância ostensiva praticado pela Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) contra seus próprios cidadãos, a partir de informações acessadas durante o período em que trabalhou como um terceirizado para a Agência de Inteligência Central (CIA, na sigla em inglês), o maior órgão de inteligência do governo dos EUA.

O delator viajou a Moscou apenas dois dias depois de seu indiciamento pelo Departamento de Justiça americano, ainda em 2013. Ele passou mais de um mês no aeroporto da capital russa antes de receber asilo temporário, cujas extensões garantiam sua permanência no país até o final deste ano. Agora, ele pode permanecer na Rússia pelo tempo que desejar.

Pandemia atrasou a liberação do pedido

De acordo com Kucherena, o pedido de residência permanente foi feito, originalmente, em abril, mas atrasos burocráticos causados pela pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) fizeram com que a solicitação fosse atendida apenas agora. O pedido de cidadania russa não foi descartado, mas o advogado afirma que essa é uma decisão inteiramente de Snowden, que não confirmou a solicitação por enquanto.

Também não está garantido o retorno do delator aos Estados Unidos. Quando perguntado sobre o assunto, Kucherena disse ser “natural” que ele queira retornar a seu país de origem, mas que isso somente deve acontecer quando o processo judicial estiver concluído ou após garantias de que receberia o devido tratamento. Enquanto isso, Snowden deve permanecer na Rússia, de onde trabalha como consultor de segurança e lidera a Fundação Pela Liberdade de Imprensa, que protege jornalistas contra vigilância governamental.

No início deste ano, o presidente americano Donald Trump comentou, em pronunciamento, que um perdão a Snowden poderia ser estudado pelo governo, mas nunca mais se tocou no assunto. Em 2015, uma petição popular nesse sentido foi rejeitado pela Casa Branca, ainda durante o mandato de Barack Obama.

Mudanças nas leis do país permitiram concessão do visto, que acabou atrasado por causa da pandemia do coronavírus. De acordo com seus advogados, o delator não deve solicitar cidadania russa e já disse considerar retornar aos EUA

Fonte: The Guardian

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