“Don Juan”: veja como agia estelionatário que seduzia mulheres em redes sociais

“Don Juan”: veja como agia estelionatário que seduzia mulheres em redes sociais

Por Felipe Gugelmin | Editado por Claudio Yuge | 18 de Agosto de 2021 às 16h40
Divulgação/Polícia Civil

Preso desde junho deste ano em Caucaia (CE), David Alves Bezerra, de 30 anos, também conhecido pelos apelidos “Berlim”, “Alemão” e “Don Juan”, foi ligado esta semana a outros crimes cometidos no estado de Goiás. Se passando por um falso analista da Receita Federal (RF), ele conquistava a confiança de mulheres através de redes sociais e as enganava para que elas o ajudassem a cometer uma série de golpes, que fizeram mais de 90 vítimas desde 2014.

Embora a maioria dos alvos se localizasse em Roraima (onde já havia sido preso anteriormente) e na região Norte do Brasil, também houve vítimas em Santa Catarina, Mato Grosso e Paraná. Ele atuava convencendo pessoas a comprar produtos pertencentes a um suposto leilão da RF, cujo pagamento era feito por depósitos em contas bancárias que eram emprestadas por outras pessoas.

Para convencer pessoas a emprestarem suas contas, Bezerra afirmava estar tendo problemas para acessar seus dados pessoais e movimentar valores. Em troca do favor, ele prometia entregar celulares, notebooks, perfumes importados e computadores, mas acabava não aparecendo no dia combinado para a entrega dos itens.

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Imagem: Divulgação/Polícia Civil

“Durante as investigações, tivemos acesso a imagens que demonstram uma vida de luxo que ele levava, o qual exibia suas viagens, andanças em carros e luxo e manuseio de altos valores em dinheiro, menosprezando inclusive a atividade policial que o investigava”, afirmou o delegado Leonilson Pereira ao UOL Economia.

Golpista seduzia vítimas usando redes sociais

Segundo o Metrópoles, Bezerra passou a atuar no Distrito Federal após conhecer uma mulher de 50 anos através de redes sociais. Ao chegar em Roraima, ela descobriu o passado criminoso do “Don Juan”, mas confiou nele e alugou uma casa em que ele pudesse morar. Poucos dias depois, ela rompeu o relacionamento ao ser informada por vizinhos que o golpista estava pedindo para que contas bancárias fossem emprestadas a ele.

Pouco depois, Bezerra iniciou por Facebook um relacionamento com uma professora de 34 anos, que concordou em emprestar sua conta bancária. Foi a partir desse momento que ele passou a se identificar como um analista da Receita Federal, que estava em Brasília para vender itens de um leilão que fracassou como consequência da pandemia do COVID-19.

Imagem: Divulgação/Polícia Civil

Além da conta da professora, ele também passou a usar os dados de um instalador de luminárias que havia prestado um serviço em sua residência, em um condomínio de Valparaíso de Goiás. Ele afirmava que ambas pertenciam a seus supostos chefes na RF, e se aproximou se uma vendedora de lingeries através do app Badoo que o ajudou a atrair mais vítimas para o golpe.

Entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, o “Don Juan” enganou sete pessoas, sendo uma delas responsável por transferir R$ 7 mil. Além de exibir uma vida de luxo nas redes sociais, ele também exibia uniformes e fotos que comprovariam sua ligação com o emprego que dizia possuir. Ao perceber que estava envolvida em um crime, a comerciante criou um grupo no WhatsApp chamado “Vítimas de um golpe” para denunciar Bezerra, que desapareceu da Valparaíso e do radar da polícia.

Poucos meses depois, ele chegou ser preso no Ceará, acusado de seduzir mulheres e aplicar novos golpes — em um caso, ele chegou a receber um repasse de R$ 80 mil. O advogado do acusado, Roberto Castelo Branco, afirmou que seu cliente está colaborando com as investigações e nunca agrediu ou ameaçou qualquer uma de suas vítimas, cumprindo as condições necessárias para responder ao processo em liberdade.

Fonte: Metrópoles, UOL Economia, Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Ceará

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