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Como denunciar vídeos violentos e de ódio nas redes sociais

Por  • Editado por Jones Oliveira | 

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Reprodução/Freepik
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Vez ou outra é comum nos depararmos na internet com vídeos que fazem apologia à violência e promovem discursos de ódio em redes sociais que geram uma baita repercussão na mídia. O caso mais recente é o da trend “caso ela diga não”, publicações virais no TikTok em que homens aparecem simulando agressões contra mulheres.

A trend causou revolta por ter ganhado visibilidade justamente no mês em que se comemora a luta histórica do sexo feminino por direitos e igualdade, além do aumento recorde de casos de feminicídio em 2025 com 1.470 mulheres mortas pelo crime (uma média de quatro mulheres assassinadas por dia).

Usando o teor de “brincadeira” que publicações virais possuem no TikTok, a trend do “caso ela diga não” expôs usuários a conteúdos misóginos que chegaram a ter milhares de visualizações. Embora tenham sido removidos após solicitação do governo, o estrago já tinha sido feito, com discursos de ódio alcançando níveis altos de propagação, mesmo com comentários de repúdio ao conteúdo.

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Isso porque basta adicionar um comentário ou compartilhar a publicação para que o algoritmo entenda que as pessoas estão interessadas naquele assunto, o que promove o aumento da propagação desses vídeos de ódio para mais pessoas, espalhando-se rapidamente e de maneira desenfreada.

O que fazer, então, quando você se deparar com vídeos problemáticos que fazem apologia à violência e praticam discursos de ódio criminosos? O Canaltech explica a seguir qual o melhor caminho para isso.

Passo a passo: como denunciar conteúdos violentos nas redes

Antes de qualquer coisa, é fundamental frisar que a ação mais eficiente para combater publicações de ódio nas redes sociais é fazer uma denúncia. Se comentar ou compartilhar gera ainda mais tração para esses conteúdos criminosos, a denúncia vem como uma maneira eficaz de bloquear os vídeos, aumentando as chances para que ele seja removido.

Veja a seguir como denunciar conteúdos violentos nas redes sociais mais usadas pelos brasileiros.

TikTok

Imagine que você está rolando o feed do seu TikTok e se depara com um vídeo que faz apologia à violência contra algum grupo minorizado, como é o caso da trend “caso ela diga não”. Para denunciar um conteúdo específico é simples: toque no ícone de “Compartilhar”, selecione a opção “Relatar” e escolha a categoria que mais se encaixa com o conteúdo do vídeo. 

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Se você identificar que o vídeo faz parte de uma trend nociva basta clicar no disco do áudio que aparece na tela e selecionar “Relatar”.

Instagram/Facebook

Caso o conteúdo de ódio esteja no Instagram, o processo de denúncia também é tranquilo de ser feito. Tanto para Reels, Stories ou um post estático, basta que você clique nos três pontinhos que aparecem na tela e selecionar “Denunciar”.

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Depois disso, escolha o motivo pelo qual a denúncia está sendo feita e siga as instruções que a plataforma informar. A análise da denúncia é feita em um período de 24 a 48 horas, sendo possível acompanhá-la no painel de suporte.

Já no Facebook, o processo é parecido: você pode clicar nos três pontinhos que aparecem no canto superior direito da publicação e selecionar “Denunciar publicação”. Escolha o motivo e aguarde o retorno da revisão pela plataforma.

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X (antigo Twitter)

No X, a denúncia também é feita com o clique em um ícone de três pontos no canto superior direito do post. Depois, selecione “Denunciar post” e siga as instruções, que pedem para que o usuário indique o motivo e, caso queira, adicione detalhes para aprimorar a análise.

Geralmente, o X leva 24 horas para voltar com o veredito a respeito da denúncia, notificando o usuário.

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YouTube

No YouTube, para denunciar shorts ou vídeos que disseminam discursos de ódio, você deve clicar nos três pontinhos que aparecem abaixo do vídeo. O próximo passo é clicar em “Denunciar” e depois escolher o motivo.

O processo de análise da plataforma é feito constantemente todos os dias.

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Guia de preservação de provas

Além de saber como denunciar, é fundamental ter em mente que preservar as provas pode garantir que o conteúdo realmente seja excluído. Isso porque, em muitos casos, somente fazer uma captura de tela do post não é o bastante para que o criador seja responsabilizado pela ação violenta.

Logo, caso você encontre uma publicação que configure um crime gravíssimo, como é o caso da trend “caso ela diga não”, que faz apologia ao feminicídio, não basta apenas denunciar o conteúdo. Afinal, a rede pode excluir o vídeo com base na denúncia, fazendo com que a prova do crime deixe de existir.

Dessa forma, vale documentar o processo: copie a URL do vídeo, salve o nome e o “@” do usuário que publicou o conteúdo de ódio e ainda grave a tela antes realizar a denúncia, guardando evidências para que o criador do post seja devidamente punido.

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E se a rede social ignorar a denúncia?

Em um mundo ideal, denúncias corretas de publicações criminosas seriam aceitas rapidamente pelas empresas responsáveis pelas redes sociais que as veiculam. Mas sabemos que não é bem assim que as coisas funcionam.

Apesar da pressão social, muitas plataformas falham na moderação de seus conteúdos, o que significa que, mesmo que você faça uma denúncia de um crime grave propagado por um conteúdo, pode ser que a rede opte por não acatá-la.

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Mas o que pode ser feito se a denúncia for ignorada? Uma ação possível é acionar as autoridades brasileiras, como o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF).

No caso da trend “caso ela diga não”, por exemplo, o deputado Pedro Campos (PSB-PE) abriu um pedido para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigasse as publicações virais. Já o cidadão comum pode registrar um Boletim de Ocorrência (BO) ou fazer uma denúncia no SaferNet Brasil, a central nacional de denúncias de crimes cibernéticos no país.

Vale também mobilizar as pessoas nas redes para que mais denúncias sejam feitas, já que as plataformas costumam responder mais rápido com base no volume de registros feitos.