CEO da Boeing promete que 737 Max será “um dos mais seguros” quando voltar

CEO da Boeing promete que 737 Max será “um dos mais seguros” quando voltar

Por Wagner Wakka | 25 de Abril de 2019 às 10h23
Twitter/Dennis Muilenburg

O CEO da Boeing, Dennis Muilenburg, participou de uma reunião com analistas do mercado para apresentar o relatório trimestral da empresa. O ponto principal, no verdade, nem passava pelos números, mas sobre como a fabricante de aviões pretendia contornar a crise em volta do 737 Max, que sofreu dois acidentes fatais nos últimos cinco meses.

A resposta de Muilenburg veio após questionamentos: “[o 737 Max] será um dos aviões mais seguros de se voar”, claro, quando o problema em seu sistema for resolvido.

O CEO também foi questionado sobre polêmicas que dizem que a Boeing foi relapsa com processos de certificação e engenharia. Um dos pontos que podem ter causado o acidente é a luz chamada de “disagree light” (luz de discordância, em português), uma luz no painel que acende quando os sensores do avião entram em discordância e mostram leituras diferentes sobre se o “bico” da aeronave está apontando para cima ou para baixo, deixando bem claro que pode haver algum problema no voo e que o piloto deve consultar outros aparelhos para se certificar para onde o avião está apontando. Tal peça era tida pela Boeing como opcional, motivo pelo qual não constava em ambos os acidentes.

Contra isso, o CEO disse que “conhece seu avião” e que não houve problema de certificação. “É quase o oposto. Nós sabemos exatamente como que o avião foi planejado. Sabemos exatamente como foi certificado. Tivemos tempo para fazer isso. Isso nos levou a uma atualização de software que estamos implementando e testando. Estamos muito confiantes de que, quando os voos voltarem a ocorrer, o Max será um dos aviões mais seguros de se voar”, apontou o CEO.

Desde o dia 13 de março países do mundo todo impediram que o modelo pudesse fazer voos. O 737 max caiu em outubro em um voo da Lion Air e depois voltou a ter o mesmo problema em março, com a Ethiopian Airlines. No total, 346 pessoas morrem nos dois acidentes.

O motivo foi exatamente a leitura errada do sistema MCAS (Maneuvering Characteristics Augmentation System, ou Sistema de Melhorias das Características de Vôo, em tradução livre). Ele deveria indicar ao piloto problemas com o reconhecimento de ângulo de ataque do avião. Com diferenças entre os sensores, o avião entendeu que precisava descer e foi com o nariz direto ao chão, causando os acidentes nos dois casos.

Nas próximas semanas, a Boeing deve entregar ao US Federal Aviation Administration os relatórios de testes e pedido para que o avião volte a voar — o que deve acontecer nas próximas semanas.

Como a reunião era relativa a relatórios financeiros, a Boeing também informou que deve ter um prejuízo na casa de US$ 1 bilhão por conta do modelo impedido de voar.

Fonte: Business Insider

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