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Brasil é alvo principal de ataques DDoS na América Latina

Por| Editado por Wallace Moté | 17 de Maio de 2023 às 22h00

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Moritz Erken/Unsplash
Moritz Erken/Unsplash

O Brasil voltou a liderar o ranking latino-americano de ataques de negação de serviço, voltados para tirar sites e serviços do ar sob um gigantesco volume de acessos. No segundo semestre do ano passado, houve aumento de 19% nos golpes dessa categoria, com o nosso país sendo o destino de 39,2% de todos os incidentes do tipo registrados no território.

Os números são da empresa de cibersegurança Netscout e mostram um total de mais de 727,6 mil ocorrências detectadas entre julho e dezembro de 2022. O crescimento em relação ao primeiro semestre do ano passado também acompanha um aumento na potência destes ataques, com duração média de 16 minutos e movimentação de 288,1 GB por segundo.

Os setores de telecomunicação foram os mais atingidos pelos golpes DDoS (sigla em inglês para negação distribuída de serviço), seguidos das empresas de processamento de dados e corretoras de seguro. Enquanto os registros relacionados à América Latina seguem a média global, a taxa de aumento deste lado do mundo é menor, com os ataques tendo crescido 13% globalmente no segundo semestre de 2022.

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A exceção foi registrada nos Estados Unidos, onde houve amplo reflexo da guerra entre Rússia e Ucrânia. Ainda que o conflito armado aconteça no outro lado do mundo, houve crescimento de 16,8% nos golpes DDoS registrados somente nos Estados Unidos, o país com maior aumento individual; o foco também muda por lá, com o setor de segurança nacional sendo o mais atingido.

Ainda que o Brasil seja o principal alvo de golpes de negação de serviço na América Latina, foi o Equador que registrou o maior incidente. Em agosto de 2022, o setor público do país sofreu um ataque com banda máxima de mais de 572 Gbps, com um fluxo de 167,7 Mpps a partir de diferentes vetores de dados.

Esforços em segurança precisam ser maiores no Brasil

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Nem tudo é tragédia no relatório da Netscout. Enquanto sinaliza uma tendência de que o Brasil continue a ser o alvo principal de golpes DDoS na América Latina, a empresa também aponta uma preocupação com a proteção cada vez maior deste lado do mundo, ainda que os obstáculos ainda sejam grandes, principalmente no que toca a falta de profissionais e de maturidade corporativa no entendimento de questões relacionadas à segurança.

“Nós temos um setor de infraestrutura muito bom, [desenvolvido] a partir dos anos 2000 com a privatização do setor, o que garantiu uma evolução rápida e um crescimento tecnológico a galope”, afirma Geraldo Guazzelli, diretor-geral da Netscout. “Entretanto, o que acaba prejudicando o potencial máximo do país é a deficitária formação de profissionais qualificados para acompanhar a velocidade dessa transformação digital.”

O executivo cita a presença de instituições fortes, como as FATECs regionais, o INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) como referências, ao lado da iniciativa privada. Entretanto, algo ainda falta. “Precisamos de foco e planejamento governamental para que o Brasil equilibre o potencial agrícola com a produção tecnológica”, completa.

Até lá, porém, os números de ataques bem-sucedidos devem seguir em alta. Além de ser o principal alvo de ataques de negação de serviço na América Latina, o Brasil também registrou recentemente duas marcas relacionadas ao cibercrime, aparecendo como o país com maior número de credenciais vazadas em 2022 e também o segundo mais atingido por golpes de ransomware, ficando atrás apenas dos EUA.