Após ciberataque, JBS volta a operar e EUA culpam a Rússia

Por Felipe Demartini | Editado por Claudio Yuge | 04 de Junho de 2021 às 19h20
Divulgação/JBS

Quatro dias após sofrer um ataque cibernético que paralisou suas operações em três países, a JBS anunciou nesta quinta-feira (3) a retomada das atividades em suas unidades de produção de alimentos. De acordo com a empresa, os criminosos não foram capazes de acessar os sistemas centrais da companhia, o que reduziu significativamente o impacto do golpe e fez com que os reflexos do incidente, em termos de ritmo de fabricação, tenham sido reduzidos e plenamente recuperáveis. As unidades brasileiras, por exemplo, não foram atingidas.

A empresa, uma das maiores produtoras de carne e alimentos processados do mundo, disse que o ataque atingiu alguns dos servidores que mantém os sistemas de TI de países como Estados Unidos, Canadá e Austrália. O Brasil, onde a JBS opera com marcas como Seara, Friboi, Doriana, Switft e Rezende, entre diversas outras, não foi atingido. Enquanto mecanismos de segurança e sistemas de backup ajudaram na retomada das operações em ritmo normal, após o desligamento das plataformas que foram comprometidas pelos atacantes.

Em comunicados enviados à imprensa ao longo da semana, a companhia reafirmou que não houve acesso a dados pessoais de funcionários, clientes ou parceiros de negócios da JBS. Segundo as declarações, algumas das operações foram retomadas na terça-feira (1), enquanto a totalidade dos trabalhos nas unidades da JBS atingidas pelo incidente foi recuperada nesta quinta.

De acordo com a companhia, a perda de produtividade decorrente do comprometimento foi de menos de um dia de produção normal nas unidades atingidas, enquanto a retomada rápida e uma aceleração no ritmo permitirá que os volumes sejam equalizados aos níveis normais até o final da próxima semana. A JBS não descarta impactos negativos sobre a cadeia de produtores, forças de trabalho e consumidores, mas fala que os reflexos serão limitados.

Durante o processo, a empresa disse ter trabalhado ao lado de especialistas em tecnologia internos e externos, enquanto contavam, também, com o apoio da Casa Branca e do FBI, além do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, nas investigações. O caso, inclusive, chegou à mesa do presidente americano Joe Biden, que estaria responsabilizando a Rússia por mais um ataque à infraestrutura essencial do país.

EUA apontam dedo e Rússia nega participação

Enquanto a JBS não fala sobre o assunto por esse olhar, o governo dos EUA aponta a participação de uma organização criminosa russa, conhecida das autoridades americanas, que estariam realizando um ataque ao suprimento de alimentos do país. Segundo a Casa Branca, Biden deve levar o assunto à cúpula do G7, que acontece na segunda metade de junho, e falar diretamente com o presidente Vladimir Putin sobre o assunto.

De acordo com a secretária de imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, estaria na mesa até mesmo uma opção de retaliação cibernética contra o país rival, com a postura dos EUA sendo de não excluir qualquer opção de resposta. Para Biden, nas palavras dela, a ideia é que países responsáveis não abrigam criminosos que realizam ataques de ransomware contra infraestruturas críticas de outras nações. Uma resposta mais agressiva também é parte de análises de especialistas americanos, que consideram a postura do governo plácida mesmo após os ataques a empresas como a Colonial Pipeline e, agora, a JBS.

Em resposta oficial, o governo da Rússia afirmou não ter nenhuma participação nos ataques do último final de semana nem saber quem são os responsáveis. O Kremlin disse estar aberto a qualquer pedido de assistência por parte dos EUA, o que inclui também o envio de acusações contra cidadãos do país, que devem chegar pelos canais diplomáticos usuais, em uma crítica velada aos comentários da Casa Branca feitos diante da imprensa.

Fonte: JBS, Folha de S.Paulo  

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