O desafio da privacidade na revolução cibernética

Por Colaborador externo | 21.10.2013 às 11:35

*Por Frank Meylan

A utilização de smartphones, tablets e notebooks é uma realidade cada vez mais presente no cotidiano. Como resultado, todos estão preocupados com a privacidade dos dados que circulam em seus dispositivos móveis. De acordo com recente pesquisa realizada pela KPMG International, intitulada The Converged Lifestyle (O Estilo de Vida Convergente), 90% dos consumidores estão preocupados com a ameaça de que informações e imagens pessoais arquivadas em dispositivos móveis sejam acessadas por terceiros. Os empresários também estão inquietos ante esse risco real, pois os aparelhos, ao mesmo tempo em que criam múltiplas facilidades e contribuem para a produtividade, também podem colocar em xeque a segurança das empresas, expondo seus diferenciais, estratégias de marketing, avaliações mercadológicas e conteúdos sigilosos.

Ainda que esta preocupação seja classificada como a angústia natural devido ao surgimento de uma nova tecnologia, a ameaça e o risco devem ser tratados com seriedade. Simultaneamente às oportunidades que essa revolução cibernética oferece para a conexão com clientes e consumidores de maneira empolgante, é preciso investir e pensar em níveis mais altos de segurança e privacidade.

Alguns dos benefícios mais atraentes dos dispositivos móveis podem ser considerados os mais preocupantes. Tamanho pequeno e design compacto também significam maiores chances de serem esquecidos no banco de trás de táxis ou em outros locais públicos. Interfaces de usuário simples e teclado minúsculo – pontos essenciais para a comodidade dos consumidores – também tendem a fazer com que os usuários utilizem senhas menores e menos seguras. À medida que o número de atividades habilitadas para dispositivos móveis aumenta, a quantidade de dados pessoais que precisarão ser mantidos em segurança nos aparelhos também aumentará. Ou seja, tais características e avanços irão tornar os dispositivos móveis mais suscetíveis a deficiências que poderão ser potencialmente exploradas por pessoas mal-intencionadas.

Após uma análise dos prós e contras, pode até parecer que os potenciais atributos de segurança e de privacidade dos dispositivos móveis podem, em longo prazo, superar em muito os riscos atrelados. Por exemplo, no caso de uma carteira perdida, o dono precisaria bloquear todos os cartões de crédito e basicamente dizer adeus ao dinheiro dentro dela. Por outro lado, no caso de um celular perdido, todas as informações e todos os dados podem ser rapidamente transferidos para um novo dispositivo – mantendo dinheiro e identidade intactos.

Novas abordagens de segurança para dispositivos móveis estão começando a surgir, muitas delas utilizando as características exclusivas dos aparelhos para reforçar e aprimorar os protocolos. Por meio do recurso de geolocalização de um celular as administradoras de cartões, diante de uma transação suspeita, podem inferir – com um grau de segurança relativamente alto – se o titular do cartão estava, de fato, presente no momento da transação. Não é exagero prever a introdução de autorização biométrica por meio de uma câmera de dispositivo móvel ou de outras novas abordagens que trazem a ficção-científica para a realidade.

Em vez de permitir que as preocupações com a segurança e a privacidade paralisem o desenvolvimento de uma estratégia para os dispositivos móveis, os executivos das empresas devem aderir a essa realidade e, sendo cautelosos e levando em consideração as oportunidades e os riscos inerentes, trabalhar para desenvolver uma estratégia sólida que seja capaz de reduzir riscos e proteger dados. Mesmo que cada empresa tenha a sua própria abordagem de segurança, existem algumas considerações comuns que devem ser globalmente aplicadas. Criar processos de segurança diretos e convenientes, orientar os colaboradores, garantir que seus desenvolvedores e líderes de TI considerem todas as implicações que impactam o perfil de risco da empresa, e priorizar a criação de controles e de processos de governança apropriados está entre os itens primordiais para qualquer companhia.

O ponto chave é que os executivos devem ser cautelosos com os riscos relacionados à privacidade e à segurança intrínsecos aos aparelhos, sem que isso prejudique suas estratégias móveis. Consequentemente, as pessoas capazes de gerenciar e mitigar os riscos enquanto prosseguem com as inovações móveis provavelmente estarão mais bem preparadas para liderar nesse novo mercado.

*Frank Meylan é sócio da área de Management Consulting da KPMG no Brasil