8 em cada 10 brasileiros adultos já sofreram tentativas de golpes, diz pesquisa
Por Bruno De Blasi |
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O Brasil concentrou 202 tentativas de golpes por pessoa no último ano. É o que mostra o novo estudo da organização sem fins lucrativos Global Anti-Scam Alliance (GASA) revelado nesta quinta-feira (6).
O relatório “O Estado dos Golpes no Brasil 2026” faz um retrato do cenário de fraudes no país. Segundo o levantamento, aproximadamente 34 bilhões de tentativas de golpes contra brasileiros adultos foram registradas entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
Desse montante, 81% dos adultos brasileiros abordados por golpistas nesse período. Além disso, a maioria entrevistados apontam que lidam com fraudes diariamente e apenas 42% se sentem confiantes em sua capacidade de reconhecer os ataques.
Por outro lado, 39% interagiram diretamente com os cibercriminosos. Enquanto isso, 10% dos alvos foram vítimas ao perder dinheiro ou compartilhar dados que resultaram em prejuízo financeiro.
Dentre os cenários mais explorados pelos agentes maliciosos para atrair vítimasestão golpes em compras, ofertas de “dinheiro inesperado” e falsas oportunidades de emprego.
Reincidência e prejuízo
Os brasileiros também sofreram com episódios de reincidência. Entre as vítimas, uma em cada três pessoas relataram que perderam dinheiro mais de uma vez em 2025.
Ao todo, houve uma perda total de R$ 21,2 bilhões no último ano, uma média de R$ 1,2 mil. Além disso, apenas 20% das vítimas que relataram a fraude conseguiram recuperar o dinheiro ou obter um reembolso.
Não à toa, o impacto vai além da carteira. Segundo o estudo, quase 80% das vítimas afirmaram que um golpe teve um impacto significativo ou moderado em seu bem-estar e mais da metade está preocupada em se tornar uma vítima.
O cenário agravante acende um sinal de alerta no país. Ao Canaltech, a diretora de Capítulo Brasil da GASA, Renata Salvini, pontua que os golpes digitais são um crime de baixo risco, o que justifica a grande incidência de casos.
“Em vez do criminoso ter que ir na rua, assaltar alguém, assaltar um banco, passar por esse processo de ser preso ou ser machucado, agora ele consegue fazer isso tudo de trás do computador, de qualquer lugar do mundo, e a chance de ser pego é pequena”, explica. “Isso se mostra cada vez mais lucrativo para eles.”
Origem dos golpes
Apesar de estar em desuso no dia a dia, a ligação telefônica ainda é a “porta de entrada” principal para as fraudes: 53% dos contatos foram feitos através de chamadas convencionais.
Demais canais são amplamente explorados para facilitar a efetividade dos ataques. É o caso do WhatsApp, Gmail e Instagram, líderes no ranking de plataformas mais utilizadas por agentes maliciosos para alcançar novas vítimas.
Os golpistas também utilizam ferramentas de inteligência artificial para tornar as abordagens mais convincentes e ampliar a “taxa de conversão”. Assim, é possível clonar vozes de conhecidos ou até mesmo criar vídeos falsos de famosos em anúncios, por exemplo.
“A evolução da tecnologia está disponível para o bem e para o mal. Ela está tornando os golpes muito mais baratos. Hoje você consegue criar deepfakes por um custo muito baixo e criar casos mais verdadeiros”, pontua Salvini. “Não só o deepfake, mas toda a customização de um e-mail.”
Como evitar golpes digitais
No geral, golpes digitais são realizados com ofertas “boa demais para ser verdade”. Diante do risco, a diretora da GASA orienta a analisar o cenário com calma antes de tomar qualquer decisão.
“Os golpistas usam a emoção como gatilho, seja medo, alegria ou pressão do tempo”, explica. “Quando fazemos as coisas no automático ou sem pensar direito, é a hora em que a gente cede e cai no ataque.”
É o caso do golpe da falsa central de atendimento. No geral, os golpistas solicitam dados pessoais para cancelar um Pix suspeito. As instituições financeiras, por outro lado, não entram em contato via telefone para solicitar a senha, o número do cartão e demais credenciais de acesso.
Salvini também recomenda confirmar informações através de canais oficiais das companhias, como acessar o extrato do banco para verificar se a transação suspeita mencionada pelo cibercriminoso não ocorreu, por exemplo.