Direto da China, novo vírus misterioso infecta 60 pessoas e mata uma

Por Fidel Forato | 15 de Janeiro de 2020 às 15h27
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Os vírus vivem em constante mutação. Geralmente, isso não é problema, porque as variações podem ser pequenas, quase imperceptíveis, até. Mas o problema mesmo surge quando eles sofrem tantas mutações ao ponto de se transformarem em um novo tipo. É nisso que estão pensando as autoridades chinesas, após terem identificado uma doença misteriosa que já adoeceu mais de 50 pessoas na cidade de Wuhan, capital da província da China central. Inclusive, já relataram a primeira morte no país pela pneumonia.

Casos suspeitos do vírus também foram relatados em Hong Kong, na Coreia do Sul e na Tailândia, o que tem aumentado a preocupação das autoridades de saúde pública na Ásia. A infecção é responsável por uma série de problemas pulmonares e pneumonia. Inclusive, sete pacientes estão internados em estado grave.

Por enquanto, a avaliação preliminar de uma equipe de especialistas chineses acredita que o vírus seja uma nova forma de coronavírus, de acordo com a emissora estatal da China, a CCTV. No entanto, a maioria dos coronavírus resulta em sintomas leves, incluindo infecções do trato respiratório superior, como o resfriado comum, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos.

Com essa classificação, o novo vírus está na mesma família que a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS) e a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS), duas doenças que mataram centenas de pessoas, durante seus respectivos surtos. Vale lembrar que a SARS também começou na China, só que na porção continental, e se espalhou até os Estados Unidos e o Canadá, causando mais de 700 mortes, durante a epidemia de 2003.

De origem desconhecida, novo vírus preocupa autoridades chinesas (Foto: Reprodução/ Every Eye)

Riscos do novo vírus

Até hoje, todos os seis tipos de coronavírus conhecidos — que foram encontrados em humanos — podem se espalhar via contato entre pessoas, explica Leo Poon, médico e professor da Universidade de Hong Kong. "Mas qual é exatamente a fonte do vírus, ainda não sabemos", explica o professor sobre a possível epidemia.

Com base em seu histórico, os coronavírus podem se espalhar, por meio de tosses e espirros, de acordo com o CDC. Por enquanto, o departamento de saúde da cidade de Wuhan afirma que não há evidências ainda da transmissão desse vírus entre humanos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por sua vez, alertou para a possibilidade de o novo vírus ser transmitido “de forma limitada de pessoa para pessoa”, lembrando “ser cedo e ainda não existir um quadro clínico claro.”

O problema é que esse período de amostragem é muito curto, já que o surto é recente e, em poucos dias, o país comemorá o Ano-Novo Chinês — evento conhecido mundialmente e que movimenta milhões de pessoas, tanto de fora quanto em migrações internas. Caso os números não aumentem, os especialistas explicam que não há motivo adicional para preocupação.

Já porta-voz da OMS alerta para os eventuais riscos do vírus, após relatos de que ele chegou a outros países. “Estamos nos preparando para a hipótese de contágios em massa. Por isso, estão sendo tomadas medidas de prevenção e controle de infecções para que todos os hospitais do mundo apliquem as precauções habituais”, comenta a diretora interina do Departamento de Doenças Emergentes da OMS, Maria Van Kerkhove.

De onde vem?

O primeiro caso foi descoberto na cidade de Wuhan, dia 12 de dezembro, afirma o departamento de saúde local. Na sexta-feira (10), autoridades de Hong Kong declararam que, até o momento, eram 53 casos de pacientes hospitalizados com febre, infecção respiratória ou sintomas de pneumonia, manifestados após visitas ao local.

Segundo o departamento de saúde de Wuhan, 59 pacientes foram diagnosticados com o vírus até o momento, incluindo sete em estado crítico. Os pacientes continuam em quarentena e 163 pessoas — que estiveram em contato direto com eles — estão sob observação médica. Nessa história, o curioso é que alguns dos pacientes trabalhavam em bancas no mercado local de frutos do mar.

Essa pode ser uma importante pista para descobrir a origem do vírus, já que, caso comprovado, pode ter sido transmitida por alguns mamíferos aquáticos, comercializados no mercado. No entanto, outros animais vivos são vendidos no mesmo local, o que inclui galinhas, morcegos, coelhos e cobras — e são, inclusive, apontados como fontes mais prováveis de transmissão. O risco levantado de infecções vindas de animais, remete à Gripe Aviária, que teve seu último grande surto em 2005.

Em Hong Kong, há um aumento pela procura de máscaras e respiradores descartáveis, materiais comumente usados durante o surto de SARS e que, atualmente, já esgotaram em muitas lojas, como informou a mídia local. As autoridades da cidade também solicitam que aqueles que apresentem febre ou sintomas respiratórios utilizem material de proteção.

Fonte: TimeNBC News e Agência Brasil

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