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Viagra ajuda no combate ao Alzheimer? Pesquisa indica que sim

Por| Editado por Luciana Zaramela | 07 de Dezembro de 2021 às 17h30

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thought catalog/Unsplash e Idimair/Envato
thought catalog/Unsplash e Idimair/Envato

Remédio usado há muitos anos para a disfunção erétil, o Viagra (sildenafil) pode ser também um aliado na prevenção e no tratamento da doença de Alzheimer, aponta estudo preliminar. Além do uso tradicional para impotência sexual, o princípio ativo já é usado para o tratamento de hipertensão pulmonar, com o nome de Revatio.

Publicado na revista científica Nature Aging, um estudo, desenvolvido por pesquisadores do centro médico norte-americano Cleveland Clinic, identificou que o Viagra pode trazer benefícios para a prevenção do Alzheimer. No entanto, estudos clínicos ainda são necessários para confirmar a teoria.

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Viagra e Alzheimer: qual a relação?

A partir de dados de saúde de mais de 7 milhões de norte-americanos, os pesquisadores da Cleveland Clinic observaram que aqueles indivíduos que tomavam, periodicamente, comprimidos de Viagra tinham 69% menos probabilidade de desenvolver Alzheimer. Isso quando o grupo de usuários era comparado aos que não usavam a medicação.

Aqui, é preciso destacar que a causalidade entre o uso da medicação e da proteção contra o Alzheimer não está confirmada, o que se descobriu foi apenas a relação. Agora, estudos com humanos irão avaliar a eficácia do Viagra contra a doença, conforme afirmou o pesquisador Feixiong Cheng, do Instituto de Medicina Genômica do centro, em comunicado.

Dessa forma, o novo estudo não deve ser usado como justificativa para usar o remédio, sem a devida orientação médica. Afinal, novas evidências ainda precisam ser levantadas sobre os benefícios da medicação.

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Como o remédio pode prevenir a condição?

Em estudos pré-clínicos, os pesquisadores desenvolveram um modelo de células cerebrais derivadas de pacientes de Alzheimer, a partir de células-tronco. No modelo, foi possível observar que o princípio ativo do Viagra favoreceu o crescimento das células cerebrais e diminuiu a hiperfosforilação das proteínas tau — um dos marcadores da condição neurodegenerativa.

Além disso, o medicamento pode atuar inibindo uma proteína chamada fosfodiesterase-5, que permite que os vasos sanguíneos possam contrair e dilatar. Em outras palavras, pode melhorar o fluxo sanguíneo em diferentes partes do corpo.

Segundo Cheng, é preciso lembrar que as fosfodiesterases também existem no cérebro, onde podem causar benefícios inesperados para os usuários em relação ao Alzheimer, por exemplo.

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“Também prevemos que nossa abordagem seja aplicada a outras doenças neurodegenerativas, incluindo a doença de Parkinson e a esclerose lateral amiotrófica, para acelerar o processo de descoberta de medicamentos”, explicou Cheng.

Pesquisas com medicamentos já existentes

Uma vantagem dos novos estudos sobre o Azlheimer é que iniciar pesquisas clínicas e, eventualmente, aprovar novos usos de fórmulas já conhecidas é muito menos burocrático. Isso porque parcela significativa dos efeitos adversos já é conhecida, por exemplo.

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“O estudo é um exemplo de uma área crescente de pesquisa em medicina de precisão, onde big data é a chave para conectar os pontos entre os medicamentos existentes e uma doença complexa como o Alzheimer”, comenta Jean Yuan, pesquisador do National Institute on Aging (NIA).

“Este é um dos muitos esforços que apoiamos para encontrar medicamentos existentes ou compostos seguros disponíveis para outras condições que seriam bons candidatos para os ensaios clínicos da doença de Alzheimer”, completa Yuan.

Agora, uma nova leva de testes com o Viagra e o Alzheimer deve ser iniciada, a partir das recentes descobertas. Os pesquisadores planejam um estudo de Fase 2 para avaliar a segurança e eficácia do tratamento.

Fonte: Nature Aging