Vacina falsa de Oxford é comercializada no RJ; Anvisa denuncia caso para polícia

Por Fidel Forato | 13 de Outubro de 2020 às 18h50
Karolina Grabowska/Pexels

Para se proteger contra a COVID-19, todo o cuidado é pouco, principalmente com as fake news que circulam sobre o novo coronavírus (SARS-CoV-2) nas redes sociais. Agora, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta sobre a comercialização de uma suposta vacina na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, como se fosse o imunizante desenvolvido pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, em parceria com a farmacêutica AstraZeneca.   

"Anvisa recebeu a denúncia sobre a suposta comercialização irregular da vacina contra a COVID-19 por meio de seus canais oficiais, indicando que estaria sendo disponibilizada por uma empresa localizada em Niterói/RJ a vacina de Oxford contra a COVID-19", informou a agência reguladora em nota. No entanto, se trata de uma fórmula falsificada e potencialmente perigosa, já que a vacina de Oxford ainda está em desenvolvimento.

Anvisa recebe notificação de venda ilegal e de vacina fake contra a COVID-19 (Imagem: Reprodução/ Gustavo Fring/ Pexels)

"A denúncia foi apresentada no último dia 25 de setembro e no mesmo dia houve avaliação e encaminhamento formal para a Direção Geral da Polícia Federal", comentou a Anvisa. Diante desse cenário, vale ressaltar não há nenhuma vacina autorizada para comercialização no Brasil contra o coronavírus. Mesmo fora do país, as mais avançadas vacinas estão na terceira e última fase de testes, antes da aprovação final.

Dessa forma, a agência é taxativa na recomendação: "até que seja autorizado pela Anvisa, o cidadão NÃO deve comprar e utilizar qualquer vacina que tenha alegação de prevenir a COVID-19". Isso porque injetar substâncias estranhas no organismo pode ser potencialmente perigoso e, em determinados casos, pode levar o indivíduo ao óbito.

"Existem no Brasil vacinas contra a COVID-19, exclusivamente para uso em estudos clínicos. Não há permissão para comercialização e distribuição dessas vacinas", completa a nota da Anvisa. Afinal, uma possibilidade para esse comércio ilegal seria o desvio de vacinas de Oxford usadas nos estudos clínicos, mesmo assim não é possível confirmar a segurança e nem origem dessas substâncias.

A verdadeira vacina de Oxford

Por outro lado, a vacina contra a COVID-19 desenvolvida pela Universidade de Oxford ainda está na última fase de estudos clínicos com humanos, onde é avaliada a segurança e eficácia de sua fórmula em milhares de pessoas pelo mundo e em diferentes populações. No Brasil, por exemplo, 10 mil pessoas devem integrar a pesquisa com o imunizante.

No entanto, apenas uma parte dos voluntários receberá a vacina, enquanto o outro grupo tomará apenas um placebo (substância não relacionada ao coronavírus). Dentro do estudo clínico, nem os voluntários e nem os médicos sabem quem está no grupo placebo ou não. Isso porque se trata de um estudo duplo-cego que garante a imparcialidade dos resultados.

Quanto à sua fórmula, a vacina de Oxford utiliza a plataforma vetor-viral não replicante e, para isso, é usado um adenovírus, encontrado em chipanzés, conhecido por chamado ChAdOx1. Esse adenovírus é editado geneticamente e tem incluído, em seu material genético, a proteína spike do novo coronavírus. A partir da imunização dividida em duas doses, os pesquisadores esperam desencadear uma imunização segura contra o coronavírus.

Fonte: G1  

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