Vacina contra herpes deve ser testada em humanos

Por Fidel Forato | 23 de Outubro de 2019 às 10h11

O vírus do herpes é um problema de saúde pública em escala global, com uma em cada 10 pessoas no mundo infectada com herpes tipo 2 (HSV2), conhecido popularmente como herpes genital. Na tentativa de barrar a disseminação dessa variante do vírus, Harvey Friedman, professor da Universidade da Pensilvânia, está trabalhando em uma vacina contra a infecção para uso em seres humanos após estudos bem-sucedidos em animais.

Na fase de testes com animais, a vacina de Friedman impediu lesões genitais em todos os camundongos e porquinhos-da-índia expostos ao vírus. No entanto, prevenir os sintomas visíveis da infecção não é o mesmo que impedir sua transmissão. Em muitos casos, o vírus sobrevive sem se manifestar e essa dificuldade em prevenir as infecções consideradas “ocultas” levou a maioria dos estudos anteriores a falharem na etapa de testes.

Já a nova vacina experimental da Universidade da Pensilvânia impediu a infecção pelo vírus do herpes genital em 98% dos camundongos e em 80% dos porquinhos-da-índia nos quais foi testada. Outras vacinas experimentais que foram testadas em humanos não conseguiram impedir essas infecções não-visíveis em animais.

Para o professor, os resultados apresentados pela pesquisa até agora são encorajadores, mesmo sabendo que a eficácia da vacina só será comprovada após os testes em seres humanos. A equipe também investigará a eficácia da vacina contra herpes tipo 1, o herpes labial, que que afeta 70% da população mundial.

Caso se mostre eficaz, o pesquisador acredita que ela seja administrada em adolescentes junto a outras vacinas, como a do HPV.

Sobre o funcionamento da vacina

Diferente das vacinas comuns que consistem em vírus modificados ou inativos, a vacina de Friedman apresenta moléculas de RNA mensageiro que codificam três proteínas do vírus herpes tipo 2. Quando esse RNA mensageiro entra nas células do corpo, elas produzem as proteínas virais, desencadeando uma resposta imune. Caso funcione, será a primeira vacina baseada em RNA mensageiro no mercado.

Entenda mais sobre o vírus herpes tipo 2 

Sexualmente transmissível, grande parte das pessoas desconhece o fato de estarem infectadas por não apresentarem quadro clínico da doença. Nesses casos, o vírus está adormecido dentro do organismo, nas células nervosas. Em contrapartida, outra parcela dos indivíduos infectados sofrem com sintomas dolorosos da doença, como lesões genitais, quando a taxa de transmissão do vírus é maior.

O herpes genital pode causar meningite em casos extremos e também pode levar crianças recém-nascidas ao óbito, quando transmitido durante o nascimento, sem tratamento.

Fonte: NewScientist

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