Técnica gera imagens de órgãos transparentes e vai ajudar a criar réplicas em 3D

Por Claudio Yuge | 18 de Fevereiro de 2020 às 17h20
Phys.org

Estudar o corpo humano não é tarefa das mais fáceis, principalmente porque nossas partes internas possuem camadas densas e opacas, o que dificulta uma clara visibilidade. Então, para compreender certos detalhes, os pesquisadores e médicos precisam realizar cortes profundos, dilacerando tecidos no processo. Agora, uma nova técnica pode revolucionar esse aprendizado, e nos aproxima cada vez mais da possibilidade de gerar artificialmente órgãos funcionais.

Em abril de 2019, uma equipe liderada por Ali Ertürk, diretor do Instituto de Engenharia de Tecidos e Medicina Regenerativa do Instituto Helmholtz (Alemanha), já havia dado um importante passo nessa direção, ao imprimir em 3D réplicas transparentes de órgãos humanos a partir de células-tronco. Agora, esse mesmo grupo anunciou na revista científica Cell que o procedimento foi aprimorado.

Um rim mapeado com a técnica (Imagem: Reprodução/Phys.org)

Com a descoberta, os cientistas conseguiram criar impressionantes imagens de um cérebro, olho e rim humanos transparentes. Isso foi possível por meio de um processo chamado de “limpeza óptica”. Como todos os tecidos contêm água, lipídios e proteínas que refratam a luz, Ertürk e seus colaboradores usaram produtos químicos que alteram a refração para permitir que a luz atravesse o tecido.

Depois disso, eles capturaram imagens usando um microscópio de varredura a laser e algoritmos de aprendizado profundo. Dessa forma, foi possível analisar centenas de milhões de células em 3D. Isso foi batizado de “limpeza e rotulagem eficiente do órgão humano mediado por pequenas micelas” (ou SHANEL, na sigla em inglês).

Redução do tempo de espera para transplantes

O próximo passo é usar esse mapeamento detalhado como modelo para impressão 3D de órgãos humanos funcionais. Em seguida, esse material precisa ser testados em animais, antes de chegar ao “consumidor final” como uma réplica confiável.

“O tempo de espera dos pacientes e os custos do transplante são um fardo real. O conhecimento detalhado sobre a estrutura celular dos órgãos humanos é um importante passo para nos aproximar da criação de órgãos artificiais e funcionais sob demanda”, comentou Ertürk, em um comunicado à imprensa.

Fonte: Futurism  

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