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Surto de zika pode estar mais próximo do que imaginávamos, diz pesquisa

Por| Editado por Luciana Zaramela | 13 de Abril de 2022 às 17h55

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alessandrozocc/Envato Elements
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O vírus da zika, responsável por surtos no Brasil há alguns anos e uma emergência global em 2016, pode voltar com força, alerta uma equipe multinacional de cientistas. A pesquisa que antevê a possibilidade de um novo surto foi publicada no periódico estadunidense Cell Reports, e envole testes de laboratório que reproduzem a ocorrência de variantes do vírus.

Esse e outros estudos apontam que variantes do zika vírus podem ser infecciosos o suficiente para transmiti-lo mesmo em países que já conseguiram desenvolver imunidade em surtos anteriores. A informação é do La Jolla Institute for Immunology. Embora represente um experimento teórico, a pesquisa é um lembrete de que não só o SARS-CoV-2 ameaça sistemas de saúde mundo afora.

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Mutações do zika vírus

Assim como a dengue, o vírus da zika é transmitido através do mosquito Aedes aegypti, presente em todas as Américas — menos no Canadá e no Chile, frios demais para o bicho — e na Ásia. A maior parte dos infectados tem sintomas leves, sendo a principal preocupação a infecção em grávidas, porque o vírus pode causar microcefalia e danos no tecido cerebral.

Para os testes laboratoriais, os cientistas recriaram a transmissão do vírus entre mosquitos e humanos, só que utilizando células de mosquito e ratos de laboratório. Ao fazer o patógeno ir e vir entre esses hospedeiros, mudanças genéticas ocorreram, mostrando uma certa facilidade do vírus em mutar de maneira que facilite sua sobrevivência e espalhamento — inclusive em animais que haviam desenvolvido imunidade à dengue por infecções anteriores.

O autor principal do estudo, Sujan Shresta, comenta que a variante identificada em laboratório venceu a imunidade cruzada pela dengue nos ratos, e que isso pode se tornar um problema para nós, humanos, caso essa variante se torne prevalente no meio ambiente. E mais, a mudança na sequência genética do vírus não foi grande então essa capacidade infecciosa não é difícil de acontecer caso o vírus comece a mutar naturalmente.

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Alguns especialistas, como Jonathan Ball, da University of Nottingham, e Claire Taylor, da Society for Applied Microbiology, lembram que, por ser um estudo em laboratório, a pesquisa requer investigações mais a fundo, mas admitem a importância do alerta. Eles acreditam que o monitoramento de variantes é essencial e, através da pesquisa, pode ser possível prever quais delas poderiam prevalecer no futuro e encontrar maneiras de intervir mais cedo, evitando maiores problemas.

Paul Hunter, professor de medicina na University of East Anglia, lembra que infecções de zika vírus anteriores podem oferecer alguma proteção contra variantes novas, apesar da imunidade cruzada com o vírus da dengue não fazê-lo. A situação é semelhante à das variantes do SARS-CoV-2.

Fonte: Cell Reports via BBC