SP prevê 45 mil infectados pelo coronavírus em 4 meses

Por Claudio Yuge | 12 de Março de 2020 às 19h02
Agência Brasil

São Paulo até agora é o maior centro de infecções do novo coronavírus (SARS-CoV-2) no Brasil. Até o final da tarde desta quinta-feira (12), contava com 46 confirmações e a projeção de especialistas e autoridades é de que o estado apresente de 1% a 10% dos infectados em todo o país nos próximos quatro meses. Uma estimativa com um cenário ainda mais grave contabiliza um número assustador, de 45 mil pessoas com a COVID-19.

Um áudio de Fábio Jatene, diretor do Serviço de Cirurgia Torácica do Instituto do Coração (InCor), que demonstra a preocupação com o atendimento, citou essa expectativa e acabou vazando na web, especialmente em mensagens no WhatsApp — o que aumentou ainda mais o alarmismo entre as pessoas que estão muito assustadas com o rápido avanço da pandemia em todo o mundo. O áudio foi transcrito, na íntegra, no G1.

O infectologista David Uip, na coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes nesta quinta-feira (12)
(Imagem: Reprodução/TV Globo)

Para tranquilizar a população, o infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingenciamento do Novo Coronavírus em São Paulo, confirmou, em coletiva de imprensa na tarde desta quinta, que o áudio do médico Fábio Jatene é autêntico, mas foi uma “interpretação” de um cirurgião preocupado com a necessidade de leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para o tratamento da doença.

"Este áudio é verídico, e é cabeça de cirurgião cardíaco. É decorrente de uma reunião e, dentro de estratégia, nós planejamos. (Precisamos) guardar duas considerações. Isso não acontece de uma vez, tem sazonalidade. O Incor tem uma UTI, que treinará todas as unidades. Ele (Jatene) falou de cenários do que podem acontecer. Essa conta de 1% não é em cima de 26 milhões, você elenca as pessoas acima de 50 anos", afirmou Uip.

Especialista diz que até 80% dos infectados não precisarão de internação

Imagem: Reprodução/Reuters

De acordo com o infectologista David Uip, a maioria das pessoas confirmadas com COVID-19 terão quadros menos graves, que não necessitarão de leitos. “Até 80% (dos infectados) vai ter doença assintomática ou pouco sintomática. Não precisarão recorrer ao sistema de saúde. E 20% sim. E destes, uma porcentagem menor necessitará internação, e menos ainda de UTI”, explicou. Dos 20% dos casos que vão procurar atendimento, Uip projeta que 5% serão de casos mais preocupantes.

Na avaliação do médico, seriam necessários cerca de 1,4 mil leitos de UTI para atender pacientes graves em quatro meses. Nesta quinta, foi anunciada a intenção de criar 1 mil novas vagas na rede pública de saúde, dos quais 600 seriam na capital paulista. “São leitos prontos que precisam ser habilitados pelo Ministério da Saúde, e estamos solicitando recursos para compras de equipamentos, insumos e contratação de pessoal”, detalha.

Atualmente, toda a Grande São Paulo conta com 7,2 mil leitos de UTI no SUS. O pedido para a liberação de mais unidades deve ser entregue nesta sexta-feira (13), em um encontro com o ministro da Saúde, Henrique Mandetta.

Isolamento e quarentena podem se tornar obrigatórios

O Ministério da Saúde publicou nesta quinta-feira (12) uma portaria com definições sobre isolamento e quarentena para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. O texto prevê o que já vem sendo feito, que agentes de vigilância epidemiológica possam recomendar o isolamento para pessoas que tiveram contato próximo com alguém infectado enquanto o caso delas estiver sendo investigado. Essa decisão caberá sempre a um profissional do setor.

Um dos pontos que chamou a atenção foi o comentário do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que não descartou a possibilidade de manter os cidadãos em quarentena ou isolamento de forma “compulsória” — assim como acontece atualmente na Itália. "Mas isso não é necessário com autorresponsabilidade. A saúde pública é a lei suprema", escreveu o ministro, em sua conta no Twitter. A portaria também prevê que o médico ou o agente de vigilância informe a autoridade policial ou o Ministério Público sobre algum descumprimento.

Fonte: Terra, G1, O Globo, G1/Bem Estar  

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