Sensor natural | Nossa pele pode saber quando é dia e quando é noite

Por Fidel Forato | 22 de Outubro de 2019 às 18h50

Já imaginou ter um sensor capaz de identificar se é dia ou noite sem a necessidade de abrir os olhos ou usar um relógio? Na verdade, os mamíferos e, muito provavelmente, os humanos têm essa capacidade através de sensores presentes na pele que captam a luz. É o que comprovam estudos da Universidade de Washington. 

Diferentes dos mamíferos, lulas, polvos, anfíbios, lagartos e camaleões estão entre os animais que podem mudar a cor de sua pele em um piscar de olhos. Eles possuem fotorreceptores na pele, que operam independentemente do cérebro. Esses sensores naturais são, na verdade, um tipo de proteína, conhecido como opsina.

Mamíferos também têm opsinas, mas elas estão concentradas em sua maior parte dentro dos olhos, mais especificamente na retina. No globo ocular, essas proteínas são responsáveis ​​pela visão em cores e visão sob luz fraca. Embora estudos anteriores tenham sugerido que os mamíferos tenham também esses sensores de luz fora dos olhos, havia pouca informação sobre quais funções eles poderiam influenciar.

Em estudo publicado na Current Biology, cientistas descobriram um novo tipo de opsina, conhecido como neuropsina. A proteína está presente nos folículos capilares dos ratos e sincroniza o relógio biológico do animal com o ciclo claro-escuro (dia e noite), independente dos olhos ou do cérebro.

A pele humana também pode perceber as variações da luz, sem a ajuda do cérebro ou da visão

"Esta é a primeira demonstração funcional de fotorreceptores de opsina fora do olho, em um mamífero", afirma o pesquisador do projeto Ethan Buhr, professor assistente de pesquisa de oftalmologia da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington.

Até então se supunha que, quando os mamíferos evoluíram, o cérebro assumia o controle de todos os órgãos do corpo, fosse dia ou noite. No entanto, este estudo descobriu que a pele, com seus fotorreceptores, também pode perceber variações de luz. Em outras palavras: sua pode sentir se é dia ou noite.

Para chegar a estas conclusões, a equipe de pesquisa usou camundongos sem os fotorreceptores da retina e outros elementos, que são responsáveis por informar o relógio biológico do cérebro se está claro ou escuro. Esses animais experimentais não foram capazes de sincronizar seu comportamento com o ciclo claro-escuro. No entanto, os ritmos biológicos da pele deles permaneceu sincronizado com o ciclo claro-escuro local. 

A principal premissa é que, se o fenômeno ocorre dessa forma em roedores, há fortes indícios de que ocorra também em todos os outros mamíferos — como nós, humanos.

Aplicações no futuro

Ainda é cedo para entender as implicações da descoberta para a medicina. Pesquisas do Nobel Aziz Sancar, na Universidade da Carolina do Norte, mostraram que a luz ultravioleta administrada no início da manhã teve um efeito cinco vezes maior no início do câncer de pele em ratos, em comparação com a mesma luz fornecida no final da tarde, devido a alterações na capacidade da pele de reparar danos no DNA.

Trabalhos recentes também mostraram que o momento da administração de medicamentos em horários específicos do dia ou da noite pode ter uma grande influência na eficácia do medicamento. É provável que essa mesma observação se aplique às medicações cutâneas, por exemplo.

Fonte: Science Daily

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