Rato fica com pele transparente após usar corante alimentício
Por Nathan Vieira • Editado por Luciana Zaramela | •

Em estudo publicado nesta sexta-feira (6) na revista Science, cientistas de Stanford descobriram que um corante biologicamente seguro pode tornar os tecidos transparentes. O resultado foi um sucesso: o rato que participou do estudo ficou com o corpo transparente depois da exposição à substância.
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Para tornar os tecidos transparentes, o novo corante age diretamente nas habilidades de dispersão de luz dos fluidos circundantes das células.
A pesquisa detalha como esfregar uma solução de corante na pele de um rato permitiu que os pesquisadores vissem, a olho nu, através da pele até os órgãos internos, sem fazer uma incisão.
Um ponto importante é que essa transparência pode ser revertida com facilidade, só de enxaguar a pele.
A absorção reduz a dispersão da luz
Quando as ondas de luz atingem a pele, o tecido as espalha, fazendo com que pareçam opacas e não transparentes aos olhos. Esse efeito de dispersão surge da diferença nos índices de refração de diferentes componentes do tecido, como água e lipídios.
Para combinar os índices de refração de diferentes componentes do tecido, a equipe usou uma solução de tartrazina vermelha (também conhecida como corante alimentar FD&C Amarelo 5) no abdômen e no couro cabeludo do ratinho.
Com isso, a pele ficou vermelha, indicando que grande parte da luz azul havia sido absorvida por causa da presença dessa molécula absorvedora de luz.
Os pesquisadores explicam que esse aumento na absorção alterou o índice de refração da água em um comprimento de onda diferente – neste caso, vermelho. Como resultado da absorção do corante, o índice de refração da água corresponde ao dos lipídios no espectro vermelho, levando à dispersão reduzida e fazendo com que a pele pareça mais transparente no comprimento de onda vermelho.
Órgãos internos a olho nu
Os pesquisadores conseguiram ver, sem equipamento especial, os órgãos internos em funcionamento, incluindo o fígado, intestino delgado e bexiga.
Eles também conseguiram visualizar o fluxo sanguíneo no cérebro e as estruturas finas das fibras musculares no membro. O coração batendo do camundongo e o sistema respiratório ativo indicaram que a transparência foi alcançada com sucesso em animais vivos.
“Isso poderia ter um impacto nos cuidados de saúde e evitar que as pessoas passem por tipos invasivos de testes. Se pudéssemos apenas olhar o que está acontecendo sob a pele em vez de cortá-la, ou usar radiação para obter uma visão menos do que clara, poderíamos mudar a maneira como vemos o corpo humano", afirmam os autores, em comunicado publicado pela Stanford.
Fonte: Science, Stanford Report