Quanto tempo o coronavírus sobrevive no plástico, maçaneta ou papelão?

Por Claudio Yuge | 17 de Março de 2020 às 19h00
Igolog

Uma das perguntas mais comuns que fazemos nesses tempos de prevenção contra o contágio do novo coronavírus (SARS-CoV-2) é: por quanto tempo o patógeno resiste nas mais diversas superfícies, em especial em caixas de papelão, em materiais de plástico ou maçanetas de metal? Até porque todo mundo recebe encomendas ou assina documentos, enfim, manuseia coisas que talvez não tenham tido um contato direto com um infectado, momentos antes do contato.

Pois bem, segundo uma pesquisa preliminar publicada no dia 11, pelo Instituto Nacional de Saúde da Universidade de Princeton, na Califórnia, os vestígios do vírus permaneceram até 24 horas em caixas de papelão e entre 36 horas e 72 horas em superfícies de plástico e aço inoxidável. Já em objetos de cobre, durou cerca de quatro horas. Todas as amostras foram comparadas com o que já se sabia sobre a SARS, em levantamentos feitos anteriormente no início dos anos 2000.

Os cientistas, no entanto, alertam que o trabalho realizado em laboratório pode não refletir diretamente por quanto tempo o novo coronavírus pode resistir nas mais variadas superfícies em diferentes condições ao redor do mundo — portanto, é uma boa estimativa, mas não pode ser absolutamente conclusiva porque depende de outras análises. Uma das dificuldades em se estudar a dinâmica de transmissão em meio a uma epidemia se dá justamente porque estamos o tempo todo tentando desinfetar objetos e locais em hospitais e espaços públicos, o que não oferece uma leitura precisa de como os micróbios se comportam na natureza.

Imagem: Reprodução/Freepik

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não se sabe quanto tempo o novo coronavírus sobrevive nas superfícies, mas parece se comportar de maneira semelhante às suas versões anteriores. Assim, ele “pode persistir por várias horas e dias” e a quantidade exata de tempo depende das condições de temperatura e umidade. "Se você acha que uma superfície pode estar infectada, limpe-a com um desinfetante simples para matar o vírus e proteger a si e a outras pessoas. Limpe as mãos e esfregue-as com líquido à base de álcool ou lave-as com água e sabão. Evite tocar no seus olhos, boca ou nariz”, segue recomendando o órgão.

Presença no ar varia bastante

“E se eu ficar no mesmo local que uma pessoa infectada, também posso me infectar?”. Essa é outra pergunta comum, afinal, não sabemos se as pessoas ao nosso lado no ônibus ou no supermercado estão com a COVID-19 e sempre há o medo do contágio em locais compartilhados. A resposta foi de três horas persistindo no ar, mas também não tão conclusiva quanto gostaríamos — e a recomendação de isolamento se dá justamente por conta disso.

Da mesma maneira que os pesquisadores não conseguiram realizar o teste das superfícies na natureza, eles também não fizeram as análises em torno de pessoas infectadas. Em vez disso, colocaram o patógeno em um nebulizador e o injetaram em um tambor rotativo para mantê-lo no ar. Depois, eles testaram quanto tempo poderia sobreviver dentro desse recipiente. 

Imagem: Reprodução/Wikipedia

O fato do novo coronavírus poder viver nessas condições por três horas não significa exatamente que "ficou no ar", ou seja, que ele pode se manter ativo em um mesmo espaço, tempo suficiente para que uma pessoa seja infectada apenas compartilhando um local com alguém com a COVID-19. Além disso, há diferenças de quantidades e variações de espessura das gotículas que carregam o novo coronavírus — uma amostra mais pesada tem mais probabilidade de cair, por exemplo. Vale destacar que um espirro, que espalha o vírus pelo líquido em maior volume, é bem diferente da respiração de alguém ao seu lado, e não há evidência até o momento de que isso produza quantidades significativas para levar o patógeno até outra pessoa.

Ainda assim, Joseph Allen, professor de saúde pública em Harvard que não participou do estudo, diz que os dados apoiam a ideia de que as pessoas devam tomar precauções práticas para evitar a propagação pelo ar — fazendo coisas como garantir o fluxo de ar fresco e boa ventilação. "Não devemos esperar para descobrir a divisão exata entre os modos de transmissão antes de agirmos”, reforçou.

Velocidade da transmissão ainda é uma incógnita

Dylan Morris, pesquisador de Princeton e coautor do estudo, observa que a rápida disseminação do novo coronavírus, que está se movendo mais rapidamente do que os agentes da SARS e da MERS, indica que há uma dinâmica adicional em jogo. Vários levantamentos sugerem que, no início do surto, muitas pessoas infectadas seguiram suas vidas normalmente, pois, assim como em muitos casos, não apresentaram os sintomas graves. Sem a precaução que temos hoje, isso causou uma disseminação muito mais ampla e veloz.

Os pesquisadores agora planejam analisar como as condições ambientais, como temperatura e umidade, afetam a capacidade do vírus de permanecer por aí. Além de entender melhor a transmissão no mundo real, eles também querem saber se a propagação pode diminuir durante os verões quentes, como acontece com a gripe. 

Imagem: Reprodução/Centro de Controle de Doenças

Outros estudos estão em andamento em vários locais do mundo e há levantamentos bastante avançados em Wuhan, o epicentro inicial do novo coronavírus, que investiga diferentes concentrações em ambientes hospitalares; e em Cingapura, que avalia as quantidades encontradas em amostras fecais. Todas as pesquisas terão seus dados cruzados em breve, em um esforço conjunto mundial para chegarmos a conclusões mais precisas.

De qualquer forma, as recomendações continuam as mesmas: fique em casa o quanto puder por enquanto e, por favor, lave sempre suas mãos com água e sabão e evite contato delas com o rosto.

Fonte: Newsweek, Wired  

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