Pesquisadores encontram suposto "código universal da beleza" no cérebro humano

Por Rafael Rodrigues da Silva | 19 de Setembro de 2019 às 13h13
Pixabay

Cientistas do Instituto Max Planck de Estéticas Empíricas, na Alemanha, fizeram uma descoberta um tanto inusitada: existe uma espécie de “código universal” dentro do cérebro humano que define o que consideramos como bonito.

Com o uso de ressonância magnética (MRI), os cientistas monitoraram a atividade cerebral de diversos pacientes enquanto mostravam para eles imagens de obras de arte, criações arquitetônicas e paisagens naturais que são consideradas belas pela comunidade em geral. Enquanto nas partes responsáveis pelo processamento visual do cérebro as imagens criaram padrões bem diferentes de atividades, na rede de modo padrão (RMP) todas as imagens apresentaram padrões de atividades bem similares umas das outras, independente de a imagem mostrada ser uma obra de arte, um prédio ou uma paisagem. Isso fez os cientistas chegarem à conclusão de que pode existir em nosso cérebro um “código universal” que define a beleza estética em todas as suas formas.

De acordo com Edward Vessel, líder da equipe que fez a descoberta, ainda não é possível dizer com exatidão se essa representação de beleza é realmente processada pelo RMP, mas fica claro que essa região do cérebro tem acesso a informações que definem o critério estético de uma determinada imagem.

A descoberta é interessante porque, normalmente, o RMP não participa de nenhuma interação da pessoa com o mundo ao redor dela, sendo o local do cérebro focado na autorreflexão e na imaginação. Por esse motivo a descoberta de que essa área está relacionada a como o mundo externo é visto por um indivíduo foi tão inesperada.

Ainda que os padrões estéticos (o que é ou não considerado como belo) seja algo individual, um estudo mais aprofundado sobre como esse reconhecimento funciona pode levar a eventos capazes de alterar a vida das pessoas, como permitir uma mudança no senso de amor-próprio e fazer com que a pessoa aceite melhor sua própria aparência.

De acordo com Gabrielle Starr, presidente do Pomona College (EUA) e uma das coautoras do estudo, um melhor entendimento desse “código da beleza” também pode levar a uma maior compreensão de como diferentes tipos de prazer se interconectam nas regiões do córtex para criar as complexas experiências da vida humana.

Segundo os pesquisadores, os testes agora deverão continuar com outros tipos de estímulos, e a região do RMP será monitorada para ver se ela responde do mesmo jeito a estéticas não-visuais, como música ou poesia.

Fonte: Science Daily

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