Pesquisadores do RJ desenvolvem oxímetro via WiFi para acompanhamento remoto

Por Nathan Vieira | 12 de Maio de 2020 às 23h00
Clementa Moreno/Getty Images

Pesquisadores da PUC-Rio, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e Inmetro estão desenvolvendo um oxímetro (aparelho que mede a taxa de oxigenação no sangue e frequência cardíaca) equipado com um circuito eletrônico e um sensor capaz de se conectar via WiFi e enviar os dados do paciente a uma central médica, com a ideia de fazer acompanhamento remoto. O projeto foi submetido em abril a edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), cujo resultado sai em 1º de junho.

Basicamente, a proposta é conectar o oxímetro a uma rede sem fio sem que o paciente tenha acesso aos dados, apenas os médicos. Na verdade, o paciente sequer vai precisar ter uma rede WiFi em casa para o equipamento funcionar, considerando que os dados podem ser tratados por meio de algoritmos de inteligência artificial para antecipar a necessidade de atendimento a uma pessoa com suspeita de hipóxia silenciosa causada por COVID-19.

Marco Antonio Grivet, professor do CETUC e coordenador do projeto, explica que a detecção precoce desse fenômeno através de um oxímetro permite ao médico iniciar um tratamento mais rápido e eficiente da doença, sem a necessidade de se aguardar o resultado de um teste de coronavírus em um hospital ou consultório médico, e que as informações enviadas seriam na forma de um gráfico evolutivo do nível de oxigênio de cada paciente em uma linha do tempo, com alarmes automáticos para chamar a atenção de eventuais casos críticos.

Reprodução/Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

Por sua vez, o mentor do projeto Marcelo Balisteri, supervisor de redes do CETUC/PUC-Rio, percebeu a necessidade urgente de ajudar a quem está doente da COVID-19. Ele conta que, através de uma solução envolvendo Internet das Coisas, desenvolveram um sensor de oximetria capaz de coletar e enviar dados de leitura de forma automática, segura e integrada por meio de um modem LPWAN, utilizando a tecnologia de transmissão LoraWAN, semelhante a uma rede celular e de baixíssimo custo, com o propósito de servir a dispositivos de sensoriamento remoto.

Enquanto isso, Rodolfo Saboia, chefe da Divisão de Metrologia em Tecnologia da Informação e Telecomunicações do Inmetro, ressalta que o órgão participará de várias etapas do projeto. Principalmente nas avaliações de calibração de sensores e na segurança das informações transmitidas, relativo à confiabilidade dos resultados e privacidade, entre outras.

Ao ser aprovado no edital da Capes, o projeto passará para a fase de Prova de Conceito, quando será possível oferecer o protótipo a potenciais patrocinadores, assim como aos interessados na produção industrial do oxímetro para futura disponibilização e teste em hospitais, clínicas e centros comunitários. Vale ressaltar que o projeto prevê ainda a disponibilização gratuita de um guia de construção e configuração do dispositivo.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.