Máscaras de mergulho são adaptadas com impressão 3D no combate à COVID-19

Por Claudio Yuge | 26 de Março de 2020 às 09h30
Isinnova

A maior barreira encontrada atualmente no tratamento da atual pandemia global do novo coronavírus (SARS-CoV-2) é a falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) nos hospitais, que possuem respiradores especiais, já que uma das maiores complicações acontece nos pulmões e causa falta de ar nos pacientes. Isso ligou o alerta na aquisição de mais aparelhos e, enquanto os hospitais não estão dando conta da demanda, muitos voluntários têm recorrido à reprodução desses equipamentos a partir da impressão em 3D.

Embora muitos dos esforços nessa frente tenham dado certo, alguns deles têm esbarrado em propriedades intelectuais e, bem, essas companhias estão vetando a produção independente, sob ameaças de processo por violação de direitos autorais — mesmo sob as críticas de milhares de pessoas. Ainda assim, há iniciativas que vêm conseguindo sucesso, e uma delas acontece na Itália, o atual epicentro da pandemia.

Uma delas é a da startup italiana Isinnova, que conta com uma equipe de engenheiros, designers e especialistas em comunicação para construir projetos com ajuda da tecnologia. “Nos últimos dias, fomos contactados por um ex-médico chefe do Hospital Gardone Valtrompia, Dr. Renato Favero, que entrou em contato com Isinnova através de um médico da Chiari Hospital, o centro de saúde para o qual estávamos fabricando as válvulas de emergência com processo de impressão 3D”, contam os representantes.

“O Dr. Favero compartilhou conosco uma ideia para corrigir a escassez de máscaras C-PAP do hospital para terapia sub-intensiva, que vem emergindo como um problema concreto ligado à disseminação da COVID-19: a construção de uma máscara de ventilação de emergência, realizada ajustando uma máscara de mergulho já disponível no mercado. Analisamos a proposta em conjunto com o inventor”, explicam.

Dona da marca deu sinal verde para a produção

Depois desse pedido, o pessoal da Isinnova entrou em contato com a fabricante italiana Decathlon, que inventou, produz e fornece o Easybreath, equipamento usado para mergulho esnórquel — aquele realizado em águas rasas, que permite ao usuário usar um tubo que sai da boca e fica na superfície, para a entrada do ar.

A partir daí, a Decathlon cedeu o desenho em CAD e o produto foi todo desmontado e adaptado, para que sua estrutura fique compatível com o ventilador das máquinas dos hospitais. Chamado de “Charlotte Valve”, esse novo objeto foi então para a impressora 3D.

Máscara de mergulho original (Imagem: Divulgação/Decathlon)

“O protótipo foi testado em um de nossos colegas diretamente dentro do Hospital Chiari, conectado ao corpo do ventilador, e provou estar funcionando corretamente. O próprio hospital ficou entusiasmado com a ideia e decidiu testar o dispositivo em um paciente necessitado. O teste foi bem-sucedido”, diz a Isinnova.

Uso está liberado apenas com aval médico

Tão logo a experiência deu certo, a Isinnova já disponibilizou um link com todo o projeto aberto, para que outras empresas ou pessoas em todo o mundo possam reproduzir esse equipamento. Mas vale destacar que a ideia foi criada para instalações de saúde em situações de emergência, especialmente as quais não é possível encontrar suprimentos oficiais de saúde.

Além disso, para ser utilizada, a máscara adaptada, que não é considerado um item oficial, precisa do aval de autoridades médicas e do próprio paciente — e um teste de checagem local antes de ser aplicado, claro. “Nem a máscara, nem o link são certificados e seu uso está sujeito a uma situação de necessidade obrigatória.

O uso pelo paciente está sujeito à aceitação da utilização de um dispositivo biomédico não certificado, fornecendo uma declaração assinada. Considerando a eficácia do projeto, decidimos patentear urgentemente a válvula de ligação, para evitar qualquer especulação sobre o preço do componente”, adiantaram os criadores da Charlotte Valve.

Imagem: Reprodução/Isinnova

Órgãos de saúde que desejam aderir a esse projeto podem comprar as próprias máscaras da Decathlon e entrar em contato com grupos de impressoras 3D para confeccionar o material. “Esclarecemos que nossa iniciativa é totalmente sem fins lucrativos, não obteremos royalties sobre a ideia do link, nem sobre as vendas de máscaras Decathlon”, complementa a Isinnova.

Todas as informações adicionais, incluindo o link para download do esquema e da documentação para assinatura, estão disponíveis no site da startup.

Fonte: Isinnova  

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