Inclinar a cabeça ao usar o celular pode causar dano cervical, diz OMS

Por Rafael Arbulu | 26 de Agosto de 2019 às 12h45
(Imagem: Reprodução/Revista Pilates)

Está com o seu smartphone em mãos? Talvez lendo essa nota? Então, pelo título, você já deve ter corrigido a sua postura. Se não, temos um recado para você: inclinar a cabeça para ler, jogar ou manusear de qualquer forma o smartphone pode causar danos extensos à sua cervical.

Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 37% dos brasileiros — mais de 60 milhões de pessoas — convivem com alguma dor ou dano na coluna cervical devido à má postura em relação ao manuseio de aparelhos digitais, como smartphones, tablets e laptops.

Inclinar o pescoço durante o uso de smartphones e tablets pode trazer danos graves à coluna cervical, aponta especialista

Segundo a ortopedista do grupo Notre Dame Intermédica, Liége Mentz-Rosano, o uso de dispositivos móveis é o maior culpado do problema pois, durante a sua manipulação, o pescoço acaba posicionado no que ela chamou de “posição viciosa”, aumentando a carga de pressão incidida na região.

“Quando ficamos em uma posição neutra de zero graus, é exercida uma força de cinco quilos. À medida em que vamos dobrando o pescoço e fazendo uma curva, o ângulo aumenta e a pressão exercida ao chegar em 30 graus será de 18 quilos. Aos 60 graus, chega em 30 quilos”, ela comentou.

Devido a essa carga que aumenta gradualmente, os discos vertebrais acabam se desgastando mais, removendo sua capacidade de amortecimento entre os ossos da coluna e reduzindo a mobilidade do indivíduo. A isso, dá-se o conhecido nome de "hérnia de disco".

“Essas lesões causadas pelo uso excessivo do celular podem levar à degeneração do disco, que vai formando uma barriga, que nada mais é do que a hérnia de disco. Essas hérnias podem resultar na compressão dos nervos, ocasionando perda de força, formigamento braços, artrose precoce nas pessoas mais jovens, degeneração não só no disco, mas na parte óssea”, disse Liége.

A especialista ainda comentou que diversos sinais podem ser associados ao dano cervical, mas a maioria das pessoas não estabelece correlação entre um e outro, como dores de cabeça. Segundo ela, a incidência de casos vem se tornando ainda maior entre a população mais jovem, que relatam o sintoma sem associá-lo a qualquer problema nas costas ou na região do pescoço e alta coluna.

Como medidas de prevenção, Liége indica diversas atitudes, a serem tomadas concomitantemente: manter-se em postura neutra, “olhando discretamente para baixo” (ao invés de entortar o pescoço e tentar olhar para a tela do aparelho em linha reta) e utilizar apoios sempre que possível. Mais além, a ortopedista ainda recomenda que sejam feitos exercícios de fortalecimento uma ou mais vezes ao dia. “Quando fortalecemos a musculatura anterior e posterior, fortalecemos as estruturas do pescoço. Isso protege e ajuda na correção postural”, indica a especialista.

Em caso de detecção de problemas cervicais, o tratamento é conduzido em duas fases: a primeira é a avaliação do dano estrutural ósseo, que pode ser feito por meio de exames de raio-X, tomografia computadorizada ou ressonância magnética — os três possuem graus crescentes de precisão e avaliação. Depois de constatado o volume do dano, será papel do ortopedista apontar a melhor forma de tratamento, que pode variar entre correção comum de postura, indicação de exercícios com especialistas (pilates ou RPG, por exemplo) e, em casos extremos, intervenção cirúrgica.

Fonte: EBC

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