"Impressora de pele" promete ajudar na cicatrização e curar queimaduras

Por Nathan Vieira | 05 de Fevereiro de 2020 às 16h45

Uma nova impressora 3D portátil pode depositar "folhas de pele" uma sobre as outras e criar um curativo biológico para cobrir grandes queimaduras em humanos — e, de quebra, sua "bio tinta" pode acelerar o processo de cicatrização. O dispositivo, desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Universidade de Engenharia de Toronto e o Sunnybrook Hospital, cobre feridas por completo. A tinta é composta por células-tronco que se diferenciam em tipos de células especializadas, dependendo do ambiente. Por isso, nesse caso, o material promove a regeneração da pele e reduz as cicatrizes.

O projeto é liderado pelo PhD Richard Cheng, sob a supervisão do professor Axel Guenther, em colaboração com o Dr. Marc Jeschke, diretor do Ross Tilley Burn Center, e sua equipe no Hospital Sunnybrook. Seus ensaios bem-sucedidos em feridas são relatados na revista Biofabrication . O documento é um grande passo à frente para a equipe, que lançou o primeiro protótipo da impressora para peles em 2018. Acreditava-se que o dispositivo fosse o primeiro dispositivo desse tipo a formar esse tipo de tecido.

"Anteriormente, provamos que poderíamos depositar células sobre uma queimadura, mas não havia nenhuma prova de que houvesse benefícios na cicatrização de feridas — agora demonstramos isso", diz Guenther. O método atual de tratamento de queimaduras requer o transplante de pele saudável de outras partes do corpo para a ferida. No entanto, grandes queimaduras de corpo inteiro representam um desafio maior. As queimaduras de espessura total são caracterizadas pela destruição das camadas mais externa e mais interna da pele; essas queimaduras geralmente cobrem uma parte significativa do corpo

Impressora 3D pode recuperar queimaduras e ajudar na cicatrização (Foto: EurekAlert)

"Com grandes queimaduras, você não tem pele saudável suficiente disponível, o que pode levar à morte de pacientes", acrescenta Jeschke. Desde 2018, a impressora passou por 10 reformulações, à medida que a equipe avança em um projeto que visualiza os cirurgiões usando o aparelho em uma sala de cirurgia. O protótipo atual inclui um cabeçote de impressão microfluídico de uso único para garantir a esterilização e uma roda flexível, permitindo um melhor controle de feridas mais amplas.

Cheng diz que eles querem "reduzir ainda mais a quantidade de queloides, além de ajudar na cicatrização de feridas". Por sua vez, Jeschke acredita que a impressora de pele poderá ser vista em um ambiente clínico nos próximos cinco anos. "Depois de usada em uma sala de cirurgia, acho que essa impressora será um divisor de águas para salvar vidas. Com um dispositivo como esse, ele pode mudar toda a maneira como praticamos os cuidados com queimaduras e trauma".

Fonte: EurekAlert

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