Golpistas estão vendendo cartões falsos de vacinação contra COVID-19

Por Felipe Demartini | 10 de Fevereiro de 2021 às 13h21
Jcomp/Freepik

Golpistas estão usando a internet para comercializar cartões falsos de vacinação contra a COVID-19. Por meio do Shopify e outros sistemas de marketplace atrelados a sites dedicados a essa plataforma, modelos de carteiras como as fornecidas pelo sistema de saúde nos Estados Unidos aos vacinados são comercializados por valores a partir de US$ 15, aproximadamente R$ 80 na conversão direta.

Os sites fraudulentos carregam domínios diretos ao ponto, citando diretamente os cartões de vacinação e designs igualmente simples. Ao lado de máscaras N95 e respiradores, as carteirinhas são vendidas por unidade ou em pacotes com quatro ou até oito unidades, além de versões mais baratas, em tamanho menor e papel de menor gramatura em relação ao oficial, com o suposto propósito de treinamento.

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As carteiras de vacinação são vendidas em branco e os próprios sites afirmam serem réplicas, dizendo também que a venda desse tipo de artigo não é uma prática ilegal. Para a empresa especializada em segurança digital DomainTools, que publicou a denúncia, entretanto, fica clara a intenção de fraudar o sistema de vacinação e, principalmente, escapar de possíveis restrições.

De acordo com a organização não-governamental americana KFF, 13% dos cidadãos norte-americanos declararam que não vão se vacinar contra a COVID-19. Enquanto campanhas de imunização em massa estão acontecendo em diferentes países do mundo, também começam a surgir discussões judiciais que aprovam a imposição de sanções como demissões por justa causa, impedimentos de viajar e outras restrições àqueles que não estiverem imunizados.

Cartões falsos de vacinação, idênticos aos usados nos EUA, são vendidos a partir de US$ 15; para especialistas, comércio é indicativo de fraudes na tentativa de escapar de futuras restrições (Imagem: Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech)

No Brasil, por exemplo, o Supremo Tribunal Federal concedeu, por unanimidade, o aval a atitudes desse tipo. Enquanto o presidente Jair Bolsonaro afirma que menos da metade da população nacional deseja a vacinação, dados de dezembro do ano passado, publicados pelo Datafolha, colocam esse total em cerca de 22%. Por enquanto, porém, nenhuma restrição foi aplicada e, da mesma forma, não existem indícios de carteiras fraudadas circulando por aqui — além de informações preenchidas à mão como data, fabricante e lote da vacina, o sistema brasileiro exige o carimbo e assinatura do profissional responsável pela aplicação das duas doses.

O sistema dos Estados Unidos é idêntico, o que não impediu a comercialização de cartões falsos. Para os especialistas da DomainTools, fica clara a intenção, ainda que a comercialização dos documentos não seja ilegal — elas são fornecidas pelo governo e não existe nenhuma razão, a não ser a fraude, para uma venda direta aos cidadãos.

Por enquanto, os pesquisadores identificaram algumas instâncias de venda dos cartões falsos, que foram denunciadas a provedores de hospedagem, domínios e também ao Shopify, que disse estar apurando o caso. Além disso, os especialistas recomendaram que os cidadãos evitem publicar fotos nas redes sociais exibindo suas carteirinhas legítimas, já que isso pode auxiliar na cópia de informações sobre as vacinas e, principalmente, registros de profissionais de aplicação.

Com a revelação, a DomainTools também reforçou um alerta já feito anteriormente sobre lojas online que vendem testes falsos de contaminação pelo novo coronavírus ou máscaras cirúrgicas adulteradas ou fora dos padrões. De acordo com os especialistas, são cerca de 18,5 mil estabelecimentos virtuais desse tipo, muitos envolvendo golpes de phishing ou ofertas falsas, um número que exige cautela dos usuários na hora da compra de equipamentos de proteção.

Fonte: Infosecurity Magazine

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